Após os 50 anos, «todos deveriam ver avaliado o risco de fratura osteoporótica»




“Em Portugal, a osteoporose é um problema muito importante entre os idosos, com um número de fraturas que tem vindo a crescer todos os anos, em virtude do aumento da esperança de vida”, alerta José António Pereira da Silva, diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

De acordo com o reumatologista, em cada ano, observam-se em Portugal aproximadamente 50 mil fraturas osteoporóticas, das quais 12 mil são da anca. “Cada fratura osteoporótica tem consequências muito marcadas. Por exemplo, as fraturas da anca têm um acréscimo de mortalidade de cerca de 16%, isto é, das pessoas que sofrem uma fratura da anca, cerca de 16% vêm a morrer no ano seguinte em consequência da mesma”, afirma.

Por outro lado, as fraturas osteoporóticas têm um importante impacto económico na sociedade. Por ano, estima-se que os custos se situem, numa perspetiva social, entre os 150 e os 200 milhões de euros.

Perante este cenário, José António Pereira da Silva afirma que se justifica, da parte dos médicos, da população em geral e das autoridades de saúde um esforço grande de prevenção deste tipo de fraturas.

No entanto, de acordo com o médico, o que se tem vindo a verificar em Portugal nos últimos anos é que há uma diminuição no número de prescrições, apesar de o tratamento estar cada vez mais acessível, com o desenvolvimento de produtos genéricos.


José António Pereira da Silva

O médico defende que, de uma maneira geral, “todos os indivíduos a partir dos 50 anos deveriam ver avaliado o seu risco de fratura osteoporótica”, que pode ser calculado através da ferramenta FRAX, adaptada à realidade nacional, disponível online para aplicação.

“De acordo com as recomendações nacionais, todas as pessoas que apresentem um risco entre 7 e 9 para fraturas osteoporótica major deveriam fazer uma densitometria. E as pessoas que tenham entre 2 e 3 de risco de fratura da anca também deveriam realizar o exame”, menciona.

José António Pereira da Silva acrescenta que nas situações em que se observa um risco mais elevado do que o limite superior, "justifica-se o início de tratamento sem que seja necessário efetuar uma densitometria".

O especialista frisa ainda que "todos os que tenham sofrido uma fratura osteoporótica de baixo impacto com traumatismo pequeno têm indicação formal para iniciarem tratamento, independentemente da densitometria".

Na sua perspetiva, e no sentido da prevenção de fraturas, de um modo geral, acima dos 70 anos devia ser sempre feita suplementação de vitamina D, em quantidades adequadas, independentemente de existir ou não osteoporose.

Em jeito de conclusão, José António Pereira da Silva afirma: “O rastreio sobre quem tratar é fácil, a forma de prevenir também o é e há uma variedade de produtos capazes de o fazer. Basta vontade e empenho dos profissionais de saúde.”

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