Opinião

1st Iberian Meeting on Non-Valvular Structural Interventions

António Fiarresga

Cardiologista de intervenção do Hospital de Santa Marta, CHLC

Nos dias 20 e 21 de outubro, vai decorrer, em Lisboa, a primeira reunião dedicada à intervenção estrutural não valvular. O 1st Iberian Meeting on Non-Valvular Structural Interventions resulta de uma parceria entre a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular e da sua congénere espanhola, a Sección de Hemodinámica Y Cardiología Intervencionista, sendo o resultado da vontade dos seus respetivos presidentes, o Dr. Rui Campante Teles e o Dr. Manuel Pan, em estreitar o contacto e a colaboração dos cardiologistas de intervenção dos dois lados da fronteira.

O Dr. Armando Pérez de Prado, do Hospital de Leon, e eu próprio lideramos a Comissão Organizadora que deu origem a um programa abrangente, que pretende sobretudo fomentar a partilha de experiências entre operadores e centros e divulgar as técnicas entre os médicos mais novos.

O que é a intervenção estrutural não-valvular?

A evolução da Cardiologia de Intervenção, e dos procedimentos endovasculares de uma forma geral, tem permitido uma resposta terapêutica menos invasiva a um número crescente de patologias e de doentes. Há muito tempo que a intervenção coronária não tem o exclusivo da nossa atenção, mas tem sido nos últimos anos que a intervenção estrutural se tem implementado como uma parte cada vez mais importante da nossa atividade.

Este processo tem sido liderado pela intervenção valvular, com especial destaque para a VAP, mas existe uma diversidade de outros procedimentos com importância crescente que merecem também o seu espaço próprio de discussão.

Nestes últimos encontramos o encerramento de defeitos do septo interauricular e outras intervenções em patologia cardíaca congénita, a ablação alcoólica do septo para o tratamento dos doentes com miocardiopatia hipertrófica obstrutiva, o encerramento percutâneo de leaks periprotésicos, a oclusão do apêndice auricular esquerdo, o tratamento endovascular de patologia da aorta, a intervenção vascular periférica, a desnervação renal… e a lista não termina com facilidade, pois, são várias as intervenções em que, por vezes de forma engenhosa, se aplicam as capacidades da Cardiologia de Intervenção para solucionar o que antes não tinha solução.


Intervenção de António Fiarresga durante a última Reunião Anual da APIC.

A quem se dirige esta reunião?

A resposta mais óbvia é... a todos os que trabalham em intervenção estrutural ou têm perspetivas de aí desenvolver a sua atividade. Dificilmente se encontrará um operador com experiência em todas as intervenções abrangidas pelo programa e será com facilidade que qualquer um encontrará algo de novo e enriquecedor para si. Será uma reunião com interesse para os mais e os menos experientes.

A intervenção estrutural não valvular para o tratamento da patologia cardiovascular abrange áreas de fronteira com outras especialidades com as quais a Cardiologia está habituada a conviver. A reunião está também aberta a especialidades como a Cirurgia Cardíaca, a Cardiologia Pediátrica ou a Cirurgia Vascular.

Por que razão surgiu uma parceria ibérica?

Esta parceria é, antes de mais, o resultado de anos de bom convívio e amizade entre os cardiologistas portugueses e espanhóis. É também uma evolução natural na relação entre duas associações que têm amadurecido e que reconhecem as vantagens em procurar sinergias e pontos de contacto entre si.

Quais serão os desenvolvimentos mais relevantes nesta área?

Uma das intervenções com maior potencial de crescimento é, sem dúvida, o encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo: a) a acumulação da evidência tem sido favorável, demonstrando o seu papel na prevenção dos eventos cardioembólicos na fibrilhação auricular não valvular; b) existe ainda margem para melhorar os resultados com novas gerações de dispositivos; c) por fim, a sua maior divulgação e reconhecimento vão levar a um aumento da referenciação dos doentes e a um acumular da experiência dos centros.

Algumas técnicas debatem-se ainda com a necessidade de se afirmarem ou de encontrarem a melhor forma de selecionar os doentes adequados, o que abre espaço para a investigação clínica. Outras carecem de dispositivos ou material dedicado que aumentem o seu sucesso e segurança.

Provavelmente, o principal desenvolvimento que o futuro próximo nos trará é a integração dos métodos de imagem – incluindo a intracardíaca – e a tecnologia 3D, que será determinante para facilitar os procedimentos, diminuir a sua duração e, sobretudo, aumentar o seu sucesso e segurança.

O 1st Iberian Meeting on Non-Valvular Structural Interventions será uma excelente oportunidade de convivermos em torno de um conjunto de temas de grande pertinência atual na Cardiologia de Intervenção, partilhando conhecimento, refletido sobre as dificuldades que se nos colocam e definindo, em conjunto, estratégias que nos permitam continuar a melhorar a resposta que damos aos nossos doentes.

Venham a Lisboa.










Artigo publicado na última edição de LIVE Cardiovascular.

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