APAH considera que as terapêuticas não convencionais «devem integrar» o sistema de saúde

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), sublinhou a importância crescente das terapêuticas complementares no panorama clínico nacional. E defendeu ser urgente regulamentar e integrar estas práticas numa reforma mais vasta dos hospitais, ao intervir em mais uma sessão da iniciativa “Caminho dos Hospitais”, promovida pela APAH.

A propósito do tema “Novos desafios do sistema de saúde – A medicina integrativa”, aquele responsável considerou como benéfico que as terapêuticas não convencionais venham, em breve, a estar integradas nos serviços dos hospitais portugueses.

Alexandre Lourenço pensa mesmo que esse caminho é “incontornável” e que, por isso, o passo seguinte, e mais importante, será a regulamentação do setor, para garantir o mínimo de qualidade na prestação de cuidados. Foi mesmo mais longe e vaticinou que, na própria reformulação do papel dos hospitais, há que integrar e abraçar novas formas de prestar cuidados.


“Ao reorganizarmos os hospitais, temos de ser capazes de centrar os cuidados no doente e nos seus interesses. E julgo que as medicinas alternativas nos trazem isso. Trata-se de uma nova forma de ver a prestação de cuidados, centrada no doente e, por isso, é importante que discutamos este tema, sendo certo que no futuro vamos ter outros profissionais ao nosso lado nos hospitais, além de médicos e enfermeiros”, afirmou.

Quem assistiu a esta última sessão do “Caminho dos Hospitais”, que decorreu no auditório do Hospital Fernando Fonseca (HFF), Amadora, no passado dia 26 de junho, terá concluído que as denominadas “modalidades alternativas” não constituem campos de conhecimento dissociados da medicina dita tradicional, requerendo uma estratégia de colaboração e integração.


O presidente da APAH com Francisco Velez Roxo

Francisco Velez Roxo, presidente do Conselho de Administração do HFF e anfitrião do evento, começou por elogiar o trabalho que a APAH tem desenvolvido na reformulação da gestão hospitalar. Quanto às terapêuticas alternativas, concordou que o caminho passa pela desmistificação de alguns conceitos e a progressiva integração destas valências nas unidades hospitalares em Portugal.

“A medicina integrativa é uma área muito propícia a equívocos, nomeadamente ao fazer-se uma divisão entre a medicina convencional e estas abordagens alternativas. Sabemos que a medicina científica tem um papel central, mas, em nome de um bem essencial que é a saúde, deve haver uma complementaridade entre os dois campos”, defendeu Francisco Velez
Roxo, relembrando que a missão dos prestadores de cuidados de saúde não consiste apenas em tratar os doentes, mas também em melhorar a qualidade de vida da sociedade em geral.

Projeto “Caminho dos Hospitais”


O projeto “Caminho dos Hospitais”, que arrancou no final de setembro de 2016, com um debate promovido pela APAH no Hospital do Espírito Santo de Évora, já incluiu também no seu roteiro o CH Cova da Beira (novembro), o CH e Universitário do Porto (dezembro), o CH Lisboa Norte (fevereiro), a ULS de Matosinhos (março), a ULS de Castelo Branco (abril) e o Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (junho).

Esta iniciativa resulta de uma aposta da APAH “na proximidade com a comunidade de saúde, criando mecanismos que promovam a inclusão através de visitas e reuniões programáticas mensais às instituições de saúde do SNS”.




Artigo publicado na edição de julho do Hospital Público.

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