Opinião

Escola Europeia de Inverno de Medicina Interna: «uma oportunidade incrível»

Sofia Nóbrega

Interna de 5.º ano de Medicina Interna, Hospital Central do Funchal

A 29.ª Escola Europeia de Medicina Interna (ESIM), na sua 8.ª edição de Inverno, decorreu entre 22 e 26 de janeiro de 2018 na mágica Lapónia, na Finlândia.

Esta escola, que contou com a participação de 47 jovens internos de vários países (Bélgica, República Checa, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Letónia, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia e Reino Unido) teve lugar em Levi, acima do Círculo Polar Ártico, nuns agradáveis 90 cm de neve e -30°C, sob a direção do Prof. Risto Kaaja e administração do Dr. Kim Pettersson-Fernholm, incansável em todo o processo.


Sofia Nóbrega

Portugal foi representado por mim, interna de 5.º ano do Hospital Central do Funchal, pelo João Coimbra, interno de 4.º ano do Centro Hospitalar de São João, e pela Fani Ribeiro, interna de 4.º ano do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, com o patrocínio da nossa Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Fundamental para a candidatura é o envio de um currículo resumido, um caso clínico em inglês, uma carta de motivação e a preciosa carta de recomendação do nosso orientador de formação e/ou diretor de serviço, a quem desde já quero agradecer.

A ESIM é um espaço de formação de qualidade, condensado numa semana em que tivemos o privilégio de participar em palestras, workshops e conferências clinicopatológicas com palestrantes de reconhecido mérito, como foi o caso do Prof. Runólfur Pálsson, presidente da Federação Europeia de Medicina Interna (EFIM), do Dr. Xavier Corbella, secretário-geral da EFIM, e de vários membros dos Young Internists.



Foi uma oportunidade única de aprofundar conhecimentos em áreas tão importantes como a insuficiência cardíaca, intoxicações, ventilação não invasiva, síndromes endocrinológicas, emergências reumatológicas, entre outras, num formato de partilha de vivências e de procedimentos, do qual é impossível não sair mais rico.

A componente prática foi uma constante, com a discussão em grupo de estratégias diagnósticas e terapêuticas, com reconhecimento da variável epidemiologia e procedimentos adotados nos diferentes países.

De realçar a oportunidade de uma aprendizagem hands-on no que diz respeito à ecografia à cabeceira do doente e da preocupação em transmitir a importância do choosing wisely, campanha adotada pela EFIM, voltada para a utilização de procedimentos e terapêuticas verdadeiramente necessários e livres de dano, numa era em que somos cada vez mais interventivos e com cada vez mais opções diagnósticas e terapêuticas ao nosso dispor.

Outro momento de grande enriquecimento pessoal e profissional foi a apresentação de casos clínicos por um interno de cada País, num ambiente de empatia e de aprendizagem, com exposição da orientação dada a cada caso, refletindo a prática da Medicina nos variados locais.

No caso de Portugal, essa apresentação ficou a meu cargo, com um caso de degenerescência combinada subaguda da medula, que reverteu com a administração de vitamina B12 e que motivou a participação e partilha de experiências dos restantes colegas.



Uma grande mais-valia da ESIM foi permitir este convívio entre colegas, formadores e formandos num ambiente informal e em que se notava em todos a vontade de ali estar. A componente social não pode aqui ser descurada, com uma enorme partilha de experiências e vivências com os colegas de outros países, em termos académicos, clínicos, comunicacionais, culturais e laborais, com a criação de laços profissionais e de amizade. Criaram-se pontes que esperemos que possam vir a contribuir para melhorar o futuro da Medicina Interna.

Foi uma oportunidade incrível e, sem dúvida, uma mais-valia na minha formação enquanto interna e enquanto pessoa.



O artigo pode ser lido na LIVE Medicina Interna 16.



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