Luís Delgado: “A nossa missão será consolidar o crescimento e a notoriedade da SPAIC”

Foi eleito presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) em outubro. Luís Delgado inicia, em 2014, um mandato de três anos à frente daquela sociedade. Em entrevista ao Jornal Médico, adianta que a missão da nova Direção será consolidar o crescimento e a notoriedade da SPAIC.

Responsabilidade na continuação do “excelente trabalho” desenvolvido pela equipa de Mário Morais de Almeida na atual Direção e agradecimento pela confiança dada pelos associados na eleição de uma nova equipa para dirigir a sociedade no próximo triénio, bem como no apoio aos seus planos de ação – são estes os sentimentos de Luís Delgado perante o novo desafio.

“A nossa missão, a cujo empreendimento nos candidatamos num novo ciclo trianual, será a da consolidação do crescimento e da notoriedade da SPAIC, com a participação de todos os associados, no sentido de contribuir para a inovação e excelência no desenvolvimento profissional dos seus membros”, refere. E acrescenta:

“A nossa visão para a SPAIC é que, enquanto principal referência nacional nas doenças imunoalérgicas, seja, em Portugal, o motor da formação e da inovação nas áreas científicas que abrange.”

Para concretizar essas metas, Luís Delgado adianta que será desenvolvido um trabalho em equipa, “em comunicação aberta” com todos os sócios, havendo três objetivos principais:
1) A inovação, contribuindo para a melhoria contínua do desenvolvimento profissional dos associados e da sua prática clínica;
2) A participação ativa e continuada de todos os associados na vida da sociedade, promovendo a comunicação; 3) A consolidação do crescimento e da notoriedade da SPAIC, quer a nível nacional, quer internacional.


A excelência dos imunoalergologistas nacionais


Luís Delgado salienta o excelente nível de conhecimentos e práxis clínica dos especialistas em Imunoalergologia portugueses, a par de um interesse crescente pelas doenças alérgicas por parte de outras especialidades médicas, profissionais de saúde e investigadores.
“Do ponto de vista científico, têm sido registados bastantes progressos na participação de sócios da SPAIC, com trabalhos científicos, nas revistas científicas de referência, indexadas, e em congressos internacionais da área da Alergologia e Imunologia Clínica”, indica.

Além disso, desenvolve, “tem sido também crescente a participação em redes de investigação em colaboração internacional quer na Europa, quer nos EUA, havendo ainda espaço para ampliar essas colaborações”.

O presidente da SPAIC lamenta, contudo, não se terem observado tantos progressos na vertente assistencial, sobretudo na implementação de uma rede de referenciação hospitalar de Imunoalergologia, “amplamente discutida e planeada na década de 90”.

O nosso interlocutor considera que o facto de, nesta especialidade médica, se tratarem essencialmente doenças crónicas não transmissíveis – asma, rinite, dermatite atópica, urticária, alergias alimentares, por exemplo – e em regime ambulatório torna a relação custo/benefício da sua implementação hospitalar muito atrativa, visão que, afirma, “infelizmente, não tem sido a dos decisores que determinam a implementação dos cuidados de saúde em Portugal”.


A ligação com os CSP

Luís Delgado relata que a SPAIC tem colaborado com os cuidados de saúde primários, sobretudo em aspetos ligados à formação e ao desenvolvimento de projetos de investigação conjuntos, de âmbito nacional, para o estudo epidemiológico das doenças do foro alergológico e imunológico na população portuguesa.

A título de exemplo, menciona que foi recentemente criado o grupo de interesse em CSP na SPAIC, para reforçar a participação de médicos de família e contribuir para que as atividades formativas da SPAIC tenham um input direto e a participação ativa dos médicos de família. Adicionalmente, a SPAIC tem organizado cursos dedicados à MGF, denominados INFORM, que se realizam umas duas vezes por ano, no Norte, no Centro e no Sul.

Segundo Luís Delgado, a SPAIC tem colaborado particularmente com o GRESP – o grupo de médicos de família interessados em doenças respiratórias da APMGF. Tem recebido, na sua reunião anual, palestrantes do GRESP e tem tido a presença de representantes da APMGF, incluindo o seu presidente.

Nos últimos anos, membros da Direção da SPAIC têm colaborado com elementos da APMGF (GRESP) em projetos de grande impacto, como o projeto CARAT – Controlo da Asma e da Rinite Alérgica -- e os estudos INASMA (Inquérito Nacional sobre Asma) e ICAR (Impacto e Controlo da Asma e da Rinite)”.

“Todos os seus resultados têm recebido ampla divulgação e colhido interesse, quer a nível nacional, quer internacional”, refere.

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