MF com papel relevante no diagnóstico precoce do linfedema

Segundo Mário Vaz de Macedo, cirurgião vascular, “os cuidados de saúde primários são, na maioria das situações, o primeiro contacto com os doentes portadores de linfedema”. Por este motivo, “a sua ação é da maior relevância para o diagnóstico precoce, identificando os doentes em risco, instituindo as medidas profiláticas e terapêuticas mais adequadas e, em articulação com os centros de Angiologia e Cirurgia Vascular da sua área, fazer um acompanhamento correto da evolução da doença, com o objetivo de minimizar a impotência funcional resultante e, deste modo, melhorar a qualidade de vida dos doentes”.

Prosseguindo, o especialista explica que, “quando os vasos linfáticos ou os gânglios estão lesados ou não existem, a linfa não pode circular livremente e, extravasando para os tecidos moles adjacentes, origina edema (linfedema), o qual é mais comum nos membros superiores e inferiores e menos frequente na face e órgãos genitais, progredindo quase sempre para a cronicidade”.

De acordo com o cirurgião vascular, existem dois tipos de linfedema. O congénito ou primário, que ocorre devido à ausência de vasos linfáticos e gânglios (aparece na infância e adolescência), e o linfedema adquirido ou secundário, o mais frequente (resulta de lesões mais tardias do sistema linfático).

As causas mais habituais do linfedema secundário são os tratamentos cirúrgicos ou com radiações de certo tipo de tumores (cancro da mama ou do testículo), as intervenções cirúrgicas vasculares, as terapêuticas de lipoaspiração e as queimaduras graves.

Por outro lado, “alguns doentes desenvolvem linfedema crónico, que é muito difícil de tratar, estando os membros envolvidos muito vulneráveis a infeção”, adverte Mário Vaz de Macedo, sublinhando que a mais pequena agressão da pele – picada de inseto, ferida ou micose entre os dedos – pode levar a infeção grave (linfangite). Por sua vez, a repetição de infeções origina agravamento do edema e fibrose dura (muito característica do linfedema crónico).

Quanto aos sintomas, o especialista refere que “raramente aparecem imediatamente após uma lesão do sistema linfático e muitas vezes só se manifestam anos mais tarde, com peso, rubor, aumento de volume do membro e impotência funcional das articulações”.

O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiando-se em meios auxiliares, como ressonância magnética, tomografia computorizada ou linfangiografia.

Como tratar o linfedema
O tratamento do problema engloba múltiplas medidas concomitantes:
• Controlo do peso;
• Higiene cuidada da pele;
• Contenção elástica do membro;
• Drenagem linfática;
• Tratamento farmacológico.


Artigo publicado no Especial
Angiologia e Cirurgia Vascular
da edição de junho do Jornal Médico.

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