Problemas nutricionais e sociais afetam doentes oncológicos em fase avançada e terminal

A alimentação dos doentes com cancro em fase avançada e terminal é uma das principais preocupações da ECCI (Equipa de Cuidados Continuados Integrados) de Soares dos Reis e Oliveira do Douro, da UCC (Unidade de Cuidados na Comunidade) Âncora. A enfermeira coordenadora, Luísa Martins, realça a importância do suporte nutricional nestes casos clínicos. A responsável salienta ainda as dificuldades socioeconómicas que agudizam ainda mais a doença.

Os doentes oncológicos acompanhados pela ECCI de Soares dos Reis e Oliveira do Douro estão, na sua maioria, numa fase avançada ou terminal da doença, segundo a enfermeira coordenadora Luísa Martins. “Os problemas nutricionais que apresentam são diversos e compreendem disfagia, falta de apetite, recusa alimentar e consequente desidratação e anorexia, entre outros”, refere a responsável.

A ECCI de Soares dos Reis e Oliveira do Douro está inserida na UCC Âncora, no concelho de Vila Nova de Gaia, e abrange as freguesias de Mafamude, Oliveira do Douro, Avintes e Vilar de Andorinho.

“A UCC abrange 90.579 habitantes numa área de 28,01 km2 e a ECCI tem, neste momento, a lotação esgotada. 20 doentes são acompanhados pela equipa no seu próprio domicílio.”

A equipa é composta por oito enfermeiros, um médico, um fisioterapeuta e duas assistentes sociais e conta com a colaboração de uma nutricionista e de uma psicóloga. Em termos de especialização, entre os enfermeiros, há especialistas em Saúde Comunitária, Reabilitação e Saúde Infantil e Pediátrica, mestres em Cuidados Paliativos, Gestão de Organizações de Saúde, Ciências de Enfermagem e Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.

O suporte nutricional é fundamental face aos problemas dos vários doentes, principalmente dos oncológicos. “A perda de peso, a desidratação, a disfagia e a falta de apetite agudizam ainda mais o estado de saúde e a qualidade de vida da pessoa e é preciso saber gerir e adequar a alimentação nestas situações.” Outro aspeto relevante, no entender de Luísa Martins, é “ajudar os familiares e/ou cuidadores a saberem lidar com as necessidades de quem enfrenta um cancro em estado avançado e até terminal”.

Este apoio é essencial não só pelo estado de saúde fragilizado, mas também por todas as circunstâncias económico-sociais. “A maior parte das pessoas que recebem a nossa ajuda são doentes dependentes, idosos, alectuados e com múltiplas comorbilidades”, aponta a enfermeira coordenadora.

E continua: “Regra geral, apresentam inúmeras necessidades em saúde e a nível social. Deparamo-nos, cada vez mais, com famílias que não têm recursos suficientes para cuidar dos seus familiares doentes.

Por exemplo, temos casos de idosos a cuidar de idosos, bem como famílias com enormes dificuldades financeiras e que não têm respostas suficientes a nível social.”

A cada doente que integra a ECCI é atribuído um gestor de caso que é responsável pela gestão de cuidados de saúde diários da equipa multidisciplinar, durante o tempo de internamento. “Existe um grande esforço de articulação e trabalho de equipa, porque o trabalho em contexto comunitário é árduo e requer muita flexibilidade e cooperação.” Assim tem de ser até porque “o dia-a-dia nem sempre decorre como o previsto”.



Entre as dificuldades que enfrentam diariamente estão a necessidade de transporte, as questões climatéricas e a falta de recursos humanos e materiais. Estes momentos menos bons acabam por ser colmatados pelo bem que fazem às pessoas que precisam destes cuidados domiciliários.

“O mais gratificante é o sorriso dos nossos doentes e famílias. Acima de tudo, o sentirmos que fizemos a diferença, os ganhos em saúde… Enfim, também o nosso sorriso.”



Artigo publicado na edição de maio do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários.

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