Serviço de Endocrinologia do HGO iniciou ligação aos cuidados de saúde primários há mais de 20 anos

Há 25 anos, Jorge Portugal, com a colega Luísa Raimundo, dava início ao Serviço de Endocrinologia do Hospital Garcia de Orta, em Almada. “Na altura, deparámo-nos com muitas primeiras consultas desta especialidade, o que se tornou muito complicado para se dar resposta a todas”, relembra Jorge Portugal, diretor do Serviço de Endocrinologia do HGO.

A ligação à Medicina Geral e Familiar é um dos grandes marcos desde os primeiros tempos. Jorge Portugal relembra que “uma das razões para o elevado número de primeiras consultas se deveu à falta de formação nos CSP, que obrigava a referenciações menos corretas.”

Na maioria dos casos, salienta, “não havia justificação clínica para que os colegas encaminhassem os doentes para o hospital, a razão era apenas a falta de formação dos CSP nesta área da saúde”.

Uma situação que se alterou rapidamente, com o início de formações dadas aos colegas da MGF e à possibilidade de estes realizarem estágios no Serviço. “Desta forma, foi possível diminuir a lista de espera, mas também estabelecer um contacto muito profícuo com os profissionais dos CSP, que tem sido uma mais-valia ao longo destes anos”, segundo Jorge Portugal. E reforça: “Hoje em dia, continuamos a trabalhar em conjunto, temos ótimos profissionais nos CSP, com formação em Endocrinologia.”

Uma forma de manter o contacto permanente com os CSP foi destacar para cada unidade de saúde um médico especialista, que aí se desloca mensalmente. “O objetivo é efetuar uma triagem eficaz dos casos clínicos apresentados pelos colegas de MGF, a fim de se conseguir diminuir o tempo de espera de consulta e avaliar os casos de acordo com a gravidade clínica”, explica o diretor do Serviço.



Mais recentemente, após o despacho da Direção-Geral da Saúde de 2013, esta interligação entre o Serviço e os CSP foi reforçada com a criação da Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes (UCDF). “É mais uma forma de se poder prestar os melhores cuidados aos utentes, principalmente numa doença que está a crescer e que leva a tantas comorbilidades, que podem ser prevenidas e/ou minimizadas com uma boa ligação entre o médico de família e o endocrinologista.”

A UCFD também trouxe mais-valias ao próprio hospital, onde se estabeleceram elos de ligação nos vários serviços, “permitindo atitudes semelhantes em relação à pessoa com diabetes”.

Jorge Portugal ainda se lembra de que a introdução da insulina apenas acontecia no hospital. Atualmente, os profissionais dos CSP estão aptos para o fazer. “Sinto total tranquilidade quando dou alta ao doente, porque conheço o meu colega da unidade de saúde e sei que vai ser be acompanhado.”

Com esta interligação, foi possível diminuir a lista de espera no hospital e uma pessoa com um nódulo na tiroide apenas espera 3 ou 4 meses pela consulta de especialidade.
“Na maioria dos casos, estes nódulos também são seguidos nos CSP, mas a partir de determinado tamanho são encaminhados para o HGO e, como gosto de explicar aos doentes, é um luxo conseguir esta consulta em tão pouco tempo, quando noutros hospitais se pode esperar mais de 1 ano”, refere Jorge Portugal.



Médicos de família da zona de influência do Hospital Garcia de Orta são os principais destinatários das XI Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Almada. O evento, que se realiza nos dias 19, 20 e 21 de outubro, visa promover uma melhor articulação com os cuidados de saúde primários, explica Jorge Portugal, diretor do Serviço de Endocrinologia do HGO.

O programa pode ser consultado aqui.



Artigo publicado no Jornal Médico de abril de 2017.

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