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Fragilidade no idoso: «exercício físico é a única intervenção com benefício comprovado»


Eduardo Doutel Haghighi

Internista, Hospital da Luz Lisboa. Membro do Secretariado do NEGERMI



A fragilidade é uma entidade cada vez mais mencionada na esfera médica e é considerada como uma das grandes síndromes geriátricas. Trata-se de um estado clínico de aumento de vulnerabilidade, levando a um maior risco de efeitos deletérios para a saúde, a um agravamento do estado funcional e a uma maior mortalidade. É causada por um declínio da reserva fisiológica e da função de todos os órgãos e sistemas. Associa-se a uma idade mais avançada, a múltiplas comorbilidades crónicas e a condicionantes biopsicossociais.

Definições: Existem dois modelos conceptuais propostos na literatura para definir a fragilidade: o fenotípico (Fried), que define fragilidade como a presença de ≥ 3 dos seguintes critérios (pré-frágil se 1-2 critérios): fraqueza muscular, marcha lenta, baixa atividade física, autorrelato de exaustão e perda ponderal involuntária; e o índice de fragilidade (Rockwood), que a define pelo acúmulo de problemas físicos, funcionais, cognitivos ou sociais, através de um questionário.

Fisiopatologia: É secundária a uma sobreativação crónica das vias inflamatórias e a uma desregulação do sistema neuroendócrino, imunológico e do sistema musculoesquelético (explicando a associação muito próxima entre a fragilidade e a sarcopenia).

Prevalência: Depende dos instrumentos utilizados, mas varia entre 4-16% nos idosos da comunidade, aumenta com a idade (25% > 85 anos) e pode chegar aos 43% nos doentes neoplásicos (EUA, 2001); estimam-se 28 a 44% de pré-frágeis na comunidade (EUA). Num estudo europeu, a prevalência de fragilidade na comunidade variou dos 5 aos 27% (2009).

Diagnóstico: Não existe um exame Gold-Standard para o seu diagnóstico. Têm sido desenvolvidos vários instrumentos que permitem rastrear, avaliar o risco ou estratificar a fragilidade. São de fácil aplicação e validados em vários settings: na comunidade, em internados ou institucionalizados, em consulta, em doentes cardiovasculares ou neoplásicos, para decisão de tratamentos, cirurgias ou mesmo para adoção de medidas invasivas.


Eduardo Doutel Haghighi

Instrumentos: Destacam-se a escala FRAIL (fatigue, resistance, ambulation, illnesses, loss of weight), aplicada em 1 minuto; o PRISMA 7 (7 perguntas); a escala Edmonton (14 perguntas, abordando toda a esfera do doente); a Clinical Frailty Scale (classifica o idoso num espectro que vai de “muito robusto” a “muito frágil”); entre outras. Pode-se ainda medir a velocidade da marcha, realizar o Timed Get Up and Go Test ou pedir ao doente para se levantar 5 vezes da cadeira sem auxílio dos braços, como formas de rastreio.

A única intervenção com benefício comprovado é o exercício físico

Intervenções: Um dos principais objetivos é o aumento da força e da funcionalidade do idoso frágil. Para tal, estabelece-se um plano individualizado, envolvendo o doente e os seus cuidadores, onde consta uma lista de problemas que são abordados por prioridade, tendo sempre em conta as preferências do doente, os riscos/benefícios/grau de “agressividade” de cada intervenção, assim como o estádio de fragilidade. A única intervenção com benefício comprovado é o exercício físico; o reforço calórico-proteico tem-se revelado como uma medida complementar favorável.


Modelos: A Avaliação Geriátrica Global (abordagem por equipa multidisciplinar especializada, centrando-se no rastreio e na correção de problemas físicos, cognitivos, sociais, nutricionais, anímicos e funcionais) é o modelo mais adequado, mas têm florescido muitos outros programas com evidentes benefícios no aumento da qualidade de vida dos idosos frágeis.

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