Existe uma «estreita ligação» entre asma e rinite alérgica

A rinite alérgica é a doença alérgica crónica mais comum, afetando cerca de um quarto da população nacional, e cuja prevalência tem vindo a aumentar progressivamente nas últimas décadas. Apesar de poder surgir em qualquer idade, Carlos Gonçalves, especialista em MGF, refere que “a idade média de aparecimento é entre os 8 e os 11 anos, sendo a população mais afetada a dos adolescentes e jovens”.

“Existe uma estreita ligação entre asma e rinite alérgica, coexistindo muitas vezes no mesmo indivíduo. Aproximadamente 80% dos asmáticos têm rinite alérgica e 40% dos doentes com rinite têm asma”, indica o especialista. Os principais sintomas da rinite são as crises de espirros (frequentemente em salvas), prurido ou comichão nasal, rinorreia (anterior e/ou posterior) e obstrução ou congestão nasal, durando mais de uma hora na maioria dos dias sintomáticos, os quais podem melhorar espontaneamente ou por ação da terapêutica.

Carlos Gonçalves refere que pode ainda ocorrer, se associada a conjuntivite alérgica, rinoconjuntivite, lacrimejo e comichão ocular, por vezes, com intensa sensação de corpo estranho, olho vermelho e/ou inchado, edema palpebral e intolerância à luz.

“Por vezes, surge tosse, sobretudo noturna e relacionada com a escorrência nasal posterior. As complicações são frequentes, nomeadamente, perturbações do sono e dificuldades nas atividades quotidianas e de vida social. Se mal controlada, pode, ainda, associar-se ao desenvolvimento de outras complicações, com processos infecciosos como sinusite e de otite”, acrescenta.

O médico adverte que esta apresentação pode confundir-se facilmente com uma vulgar constipação. No entanto, relembra que, “normalmente, e ao contrário das constipações, que são infeções, a rinite alérgica não se apresenta com febre, nem com queixas generalizadas, como mialgias e mau estar geral”.


As declarações de Carlos Gonçalves fazem parte de um Dossier Respirar, publicado na edição de dezembro do Jornal Médico, que conta com a colaboração de duas dezenas de membros do GRESP, Núcleo de Doenças Respiratórias.

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