16,8% das mulheres nunca fizeram um rastreio do cancro do colo do útero

Cerca de 83% das mulheres já realizaram rastreio do cancro do colo do útero pelo menos uma vez, sendo que, destas, quase todas (93,5%) o fazem regulamente. Contudo, 16,8% nunca realizaram uma citologia. Os dados foram apresentados por Nuno Miranda, diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, e dizem respeito a uma sondagem concluída no último mês de dezembro.

O estudo, divulgado esta segunda-feira no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, no âmbito da Semana Europeia da Luta Contra o Cancro do Colo do Útero, teve por base dados recolhidos através de um inquérito nacional, junto de 800 mulheres com idades entre os 30 e os 64 anos.



Segundo Nuno Miranda, o objetivo foi conhecer melhor a cobertura nacional, quer através do rastreio organizado, quer do médico de família ou médicos privados, e perceber a redução da taxa de adesão das mulheres aos rastreios do cancro do colo do útero realizados pelas administrações regionais de saúde, em que a população alvo é convidada a fazer o rastreio.

A maioria da mulheres (59,8%) afirmou fazer o exame uma vez por ano e 24,8% de dois em dois anos.

Estes dados, que no entender de Nuno Miranda “são muito positivos”, “explicam e justificam a diminuição da mortalidade" por este tipo de cancro, cuja taxa caiu de 3,30, em 2011, para 2,80, em 2012.

“Temos ainda alguma população por cobrir e preocupa-nos particularmente a população mais desfavorecida do ponto de vista social, porque será a que terá mais dificuldade em chegar a meios fora do rastreio organizado”, adiantou o responsável, acrescentando que existem “algumas diferenças entre regiões”, embora “pequenas”.

Os principais locais apontados para a realização do rastreio foram sobretudo os centros de saúde (53,8%), embora o estudo não tenha conseguido estabelecer se o maior número de respostas afirmativas está relacionado com a existência de médico de família. Por seu lado, os médicos privados foram responsáveis pela realização de 39,5% dos rastreios.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Doenças Oncológicas, a melhor taxa é encontrada no Norte (89,8%), seguida de Lisboa (85,1%), Centro (79,5%), Alentejo (72,7%) e Algarve (61,8%). Atualmente, o rastreio nacional apenas não existe em Lisboa, no entanto, esta região consegue obter também bons resultados, que, de acordo com Nuno Miranda, se devem ao “esforço dos médicos de família”.

Sobre a influência da vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano), contemplada no Plano Nacional de Vacinação em Portugal desde 2008, na diminuição da mortalidade por cancro do colo do útero, o responsável adiantou que esses resultados ainda não são visíveis.

"A vacinação ainda não é uma alternativa ao rastreio. Esperamos ver os resultados da vacinação dentro de cinco anos. As mulheres vacinadas também devem ser rastreadas", disse.

A incidência e a mortalidade deste tipo de cancro têm melhorado, apesar de “ser possível reduzir a mortalidade quase a zero”.

Todos os anos surgem cerca de 1000 novos casos de cancro do colo do útero em Portugal, registando-se cerca de 300 mortes, um valor que está em linha com o de outros países da Europa.




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