«A Cirurgia afirma-se hoje como uma especialidade de ponta»

“Dentro das especialidades médicas, a Cirurgia foi aquela que talvez tenha evoluído mais nos últimos 30 anos, sobretudo devido ao advento da cirurgia minimamente invasiva. Hoje, pode afirmar-se como uma especialidade de ponta”, afirma João Pimentel, presidente da SPCIR, em entrevista à Just News.

O chefe de serviço de Cirurgia Geral do CH e Universitário de Coimbra (CHUC) e professor associado com agregação em Cirurgia da FMUC lembra que a cirurgia minimamente
invasiva permite que o doente tenha alta com uma redução do tempo de internamento muito marcada. E realça que, “enquanto anteriormente os doentes podiam estar internados 7 a 8 dias, atualmente, nalgumas patologias, podem ter alta no mesmo dia ou 48 horas depois”, havendo vantagens evidentes na qualidade do pós-operatório.

Dentro da cirurgia minimamente invasiva, João Pimentel acredita que a cirurgia robótica, que permite a realização de intervenções com maior precisão, será o futuro, embora neste momento não seja muito acessível, dado o preço dos robots.

“Nem todos os hospitais podem adquirir robots e também não é aceitável que o façam. É preciso selecionar o número de equipamentos em Portugal, adaptando-o aos cerca de 10 milhões de habitantes. Nem nos EUA ou pela Europa existe um número de robots muito expressivo”, aponta, salientando que apenas alguns centros mais diferenciados deverão ter a robótica.


João Pimentel

Relativamente aos maiores avanços que ocorreram na Cirurgia nos últimos anos, João Pimentel destaca também a relevância da cirurgia ambulatória (CA).

“Hoje em dia, o que se pretende é reduzir cada vez mais o período de internamento cirúrgico. Tem toda a vantagem dar alta aos doentes no mesmo dia em que o doente é operado, porque permite que ele regresse a casa, que esteja menos tempo internado, que tenha menos possibilidades de  apanhar infeções hospitalares”, indica.

A CA já se faz praticamente em todas as áreas nucleares, sendo realizada em quase todas as unidades do país que se dedicam à atividade, havendo tendência a alargar-se a outras patologias que, eventualmente, ainda não são tratadas neste regime, "possibilitando ao doente ter alta no mesmo dia ou num regime de one day surgery (entrar num dia e ter alta no seguinte)".



Diferenciação “só traz vantagens”

Na opinião de João Pimentel, para a generalidade das patologias, "o ensino e a formação da Cirurgia em Portugal está ao mesmo nível do que é praticado nos países mais avançados".

“Não ficamos a dever nada às unidades que existem por esse mundo todo”, garante, sublinhando que são seguidas orientações de boas práticas cirúrgicas, o “requisito mais importante para tratar bem os doentes".

O médico recorda que a própria SPCIR e o Colégio da Especialidade de Cirurgia Geral da Ordem dos Médicos organizam em conjunto ações de formação, "sendo, aliás, objetivo estreitar cada vez mais esta relação".

Considera que esta é uma das intervenções desenvolvidas pela SPCIR que contribui para a "elevada qualidade dos cirurgiões portugueses, cujo número rondará os 1300". O facto dos especialistas serem cada vez mais diferenciados é algo que “só traz vantagens”, conforme explica João Pimentel:

“Pessoas que se subespecializam numa determinada área têm com certeza melhores resultados do que aquelas que o não fazem e que querem fazer toda a cirurgia, como acontecia antes. Foi um grande avanço que se deu em todo o mundo com a criação destas áreas diferenciadas, para que os cirurgiões façam mais e melhor.”


O cirurgião já assumiu anteriormente diversos cargos nos corpos diretivos na SPCIR, desde vogal a vice-presidente

Dinamização da Revista Portuguesa de Cirurgia

O presidente da SPCIR para o biénio 2018-2020 faz um “balanço extremamente positivo” do trabalho que a atual Direção tem feito neste último ano, afirmando que tem conseguido cumprir a maioria daquilo a que se propôs no manifesto eleitoral e a expectativa é de que continue a fazer um bom trabalho no segundo ano de mandato.

No que respeita à formação, a SPCIR interessa-se, fundamentalmente, por promover cursos pós-graduados em diversas patologias. “A Sociedade tem vários capítulos que se dedicam a diferentes áreas da cirurgia e o que se pretende é que cada um vá fazendo cursos de pós-graduação (teóricos e práticos), que podem ou não ser realizados no âmbito do Congresso”, adianta.

Além disso, promove as suas reuniões “Um dia, um tema”, que versam sobre diversas patologias do foro cirúrgico, em colaboração com um hospital do país.

Uma das intenções da atual Direção passava por incentivar e reforçar as relações com outras organizações e grupos de estudo nacionais e sociedades científica estrangeiras. Um dos exemplos é o que tem acontecido entre a SPCIR e a Sociedade Espanhola. “O presidente da SPCIR é sempre convidado para o Congresso Espanhol e nós organizamos uma mesa-redonda que junta ambas as sociedades científicas”, diz.

Uma das prioridades da atual Direção e que ainda não foi conseguido na totalidade é a dinamização da Revista Portuguesa de Cirurgia, aproveitando o site da SPCIR, implementando uma área reservada aos sócios, de modo a possibilitar o acesso a conteúdos que não podem ser acessíveis ao público em geral.

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