«A expressão artística é importante na reabilitação da pessoa com doença mental»

O eixo Psiquiatria, Arte e Reabilitação é visto por Pedro Frias Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria (APIP) como um trio que vai ajudar a caracterizar “o doente mental não só como doente, mas como uma pessoa capaz de produzir, igual a toda a gente”.


Pedro Frias Gonçalves

"A pessoa com doença mental é capaz de fazer produção artística"

“Existe muito a ideia do génio louco, incompreendido e produtor de arte”, refere o médico interno de Psiquiatria do Hospital de Magalhães Lemos, salientando a importância do projeto Manicómio, em Lisboa:

"Defende a arte não como forma de tratar a doença mental, mas como meio de demonstrar que a pessoa com doença mental é igualmente capaz de fazer produção artística, independentemente da sua doença”.

Esta foi uma das questões abordadas no 1.º Encontro Virtual de Internos de Psiquiatria, realizado no dia 25 de setembro, sob o mote “Psiquiatria, Arte e Cultura”.


Intervenção de dois dos oradores no 1.º Encontro Virtual de Internos de Psiquiatria

Inicialmente agendado para o mês de maio num formato presencial, este encontro nacional foi idealizado em conjunto com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, com o objetivo de “não se cingir à Academia, mas encontrar pontes entre a Saúde Mental e outras áreas de conhecimento e vivências do dia-a-dia, como a arte, a literatura ou a música”.

Partilhando a visão com os membros da direção da APIP, Pedro Frias Gonçalves chama ainda a atenção para a importância da expressão artística como projeto de reabilitação das pessoas com doença mental e como combate ao estigma.

“É preciso conseguir ver as pessoas, para além da doença”, afirma, destacando a dificuldade acrescida da Psiquiatria em relação às outras especialidades. 



Ao longo do encontro virtual, foram explorados os conceitos individuais de história de arte e doença mental e a relação que se estabeleceu entre os dois. Houve ainda lugar para debater a Psiquiatria transcultural, com o apoio de especialistas que acompanham refugiados e pessoas não documentadas.

O evento terminou com a Assembleia Geral, que teve uma adesão superior às edições presenciais anteriores. “Para nós, foi um orgulho!”, remata.

 

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