A fertilidade após o cancro da mama

"Os tratamentos usados no cancro da mama são cada vez mais eficazes, permitindo melhor sobrevida global para esta doença. Dar a possibilidade de ter filhos a estas mulheres é fonte de alegria e de bem-estar", afirma Cristina Frutuoso, assistente graduada de Ginecologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Na sua opinião, "a incidência de cancro da mama cresce a par com a idade e tem-se verificado aumento da incidência em todas as idades, nomeadamente na mulher antes dos 40 anos. Por outro lado, a idade média do primeiro parto tem também aumentado nas últimas décadas, pelo que muitas mulheres podem ainda não ter completado ou mesmo iniciado a maternidade, quando a doença as surpreende."

Em artigo que acaba de ser publicado na mais recente edição de Women`s Medicine, a especialista refere que, apesar de cerca de 30 a 50% das mulheres que tiveram cancro da mama em idade fértil quererem engravidar, apenas 4 a 7% conseguem concretizar e explica os motivos:

"Há o receio de que a gravidez possa precipitar a recorrência da doença. Também a duração do tratamento hormonal, que se recomenda que seja de pelo menos cinco anos, faz com que a mulher tente engravidar apenas numa idade em que a fertilidade natural já é baixa. A outra causa para a baixa taxa de gravidezes é a quimioterapia realizada. O efeito da quimioterapia sobre a fertilidade depende do esquema de quimioterapia usado; este efeito é tanto mais negativo quanto mais idade a mulher tiver."

Para Cristina Frutuoso, o oncologista que trata a mulher jovem com cancro, da mama ou outro, "deve informá-la sobre o risco de compromisso da fertilidade. A quimioterapia faz parte da estratégia de tratamento da doença e não devemos esquecer que tratar o cancro é o objetivo prioritário. Porém, por vezes, é possível optar por esquemas terapêuticos que têm a mesma eficácia, mas menor impacto na fertilidade futura."

Acrescenta ainda que, no serviço público, "existem consultas de oncofertilidade que dão resposta a estas questões. O mais importante é a referenciação atempada para estas consultas, antes do início de qualquer tratamento que comprometa a fertilidade."

Após a abordagem de outros aspectos no artigo, Cristina Frutuoso conclui salientando "a importância da referenciação precoce das mulheres jovens com cancro para as consultas de aconselhamento sobre preservação da fertilidade. Se a mulher tiver planos de gravidez futura, não é obrigatório que o cancro da mama a impeça de os concretizar!"




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