«A formação em cuidados paliativos é fundamental para qualquer profissional de saúde»

“Integração dos Cuidados Paliativos no trajeto da doença” é o tema das III Jornadas do Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPal) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que decorrem no próximo dia 8 de fevereiro, no Porto. Para Elga Freire, a coordenadora do Núcleo, “a formação em cuidados paliativos é fundamental para qualquer profissional de saúde, porque estes cuidados não se podem cingir apenas a unidades de cuidados paliativos hospitalares”.

A coordenadora da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP) considera mesmo que “todos os profissionais de saúde devem ter formação em cuidados paliativos". Tal justifica-se "para saberem tratar e acompanhar os doentes, independentemente do grupo profissional ou se trabalham em contexto hospitalar ou nos cuidados de saúde primários (CSP)”.

Em declarações à Just News, a médica explica que a justificação está na mudança de paradigma que se assiste há uns anos na área da Saúde: “As pessoas com doenças complexas, oncológicas ou não oncológicas, estão a viver mais anos com qualidade por causa dos avanços na Medicina; mas o sistema de saúde ainda não lhes dá a resposta mais adequada e isso tem de mudar.”



Como acrescenta: “Mesmo na Pediatria, crianças que morriam no primeiro ano por causa de algumas patologias congénitas, hoje em dia chegam à idade adulta, necessitando de cuidados paliativos ao longo da vida.”

Os cuidados paliativos devem, assim, estar associados a todos os outros cuidados. “Os cuidados paliativos não se cingem a unidades de cuidados paliativos", volta a referir Elga Freire, dando o exemplo da equipa que coordena, que já formou mais de 1500 profissionais de saúde nesta área:

"No Centro Hospitalar Universitário do Porto tenho apenas uma equipa. E damos resposta a todos os serviços, porque são doenças que causam sofrimento, que pode ser aliviado com a nossa intervenção.” Os elementos da EIHSCP acabam também por funcionar como consultores, deslocando-se aos vários serviços do CHUP.

"As pessoas querem estar em casa"

Os CSP também não devem ficar de fora. “A formação junto dos médicos de família é fundamental, porque todos eles devem saber como tratar estas pessoas que são seguidas na sua consulta desde os primeiros dias de vida até ao fim", refere Elga Freire.

Mas, segundo a especialista, se o papel da Medicina Geral e Familiar é importante, a falta de recursos leva a que não seja muito visível no terreno, sendo "a área em que mais falha o Plano Estratégico Nacional para os cuidados paliativos".

E faz questão de sublinhar: "As pessoas querem estar em casa. Logo, se existir uma resposta adequada no domicílio, vai haver menos sofrimento para o doente e a família e menos necessidade de se recorrer com frequência a um hospital de agudos.”

"A Espiritualidade no trajeto da doença"

No evento vai haver ainda um debate aberto ao público sobre “Integração dos cuidados paliativos em situações particulares”, no qual, além das associações de doentes que vão estar presentes, podem participar todos os interessados.

As Jornadas, que vão decorrer na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, terminam com a temática “A Espiritualidade no trajeto da doença”.

O objetivo desta última sessão "é relembrar que doentes, familiares e profissionais de saúde têm a sua própria espiritualidade, que não é o mesmo que religiosidade – mesmo que haja quem tenha necessidade de a integrar -, mas a busca do sentido da vida.

Na opinião da médica, "se se desse mais atenção a esta vertente, poderíamos prestar melhores cuidados, ou seja, esta questão também diz respeito a quem trabalha em saúde".



O programa das Jornadas pode ser consultado aqui.


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II Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar