"A ORL Pediátrica está numa fase de diferenciação crescente em Portugal"

Especialista do Centro Hospitalar de São João e professor de Otorrinolaringologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Jorge Spratley terminou, em junho, o seu mandato de dois anos como presidente da European Society of Pediatric Otorhinolaryngology (ESPO). Em declarações à Just News, afirma que a ORL Pediátrica ainda não atingiu, a nível europeu, um patamar uniforme, afirmando mesmo ser “um processo em curso.”


Segundo explica, em alguns países esta área clínica está “totalmente reconhecida” como uma subespecialidade, cuja graduação é obtida através de uma formação adicional, os denominados fellowship, em centros reconhecidos. É o caso da França, da Inglaterra, ou da Itália, mas também da Polónia e da República Checa.


Nos EUA, os jovens médicos fazem primeiro o internato da especialidade de ORL, durante cinco anos, "e só depois podem concorrer ao fellowship adicional, de um ou dois anos, de diferenciação específica em ORL Pediátrica".

Contrariamente, no caso de Portugal, da Alemanha e da Espanha, os médicos que se dedicam diariamente a esta área "não têm ainda uma subespecialidade reconhecida".




“Entre nós, há um número crescente de médicos que consagram à Otorrinolaringologia Pediátrica uma percentagem muito alta da sua atividade clínica diária, ou seja, mais de 80% dos casos”, indica.

E acrescenta que, “em abstrato, um dos princípios que devem reger a ciência e a atuação médicas, perante um doente, são a procura permanente da excelência no tratamento. Ora, em caso de patologia grave da criança, o otorrino pediátrico pode dar um aporte adicional de conhecimento, de treino e de experiência.”

"Fazer a diferença em áreas muito específicas"

Jorge Spratley deixa bem claro não ser objetivo da ORL Pediátrica retirar “capacidade ou espetro de atuação” aos otorrinos gerais. A grande maioria da patologia ORL na criança é tão frequente como, por exemplo, a patologia de amígdalas e adenoides, que, sublinha, "a generalidade dos otorrinolaringologistas está capacitada para tratar".

“O ORL pediátrico pode e deve fazer a diferença em áreas muito específicas como a surdez infantil, as malformações craniofaciais, a patologia obstrutiva laringotraqueal, ou a patologia do recém-nascido, entre muitas outras", salienta. Nestes casos, "é necessário alguém com grande especialização na área, que se articule de forma ágil com os outros especialistas da criança, como os pediatras, os neonatologistas e os intensivistas pediátricos."

“O objetivo principal é termos pessoas cada vez mais diferenciadas a trabalhar casos que, no passado, ficariam com uma solução inadequada. O objetivo final é o bem das crianças do nosso país”, conclui.

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