Ações de médicos internos em bairros sociais de Braga com «importantes ganhos em saúde»

Em junho de 2020 realizaram-se ações de educação para a saúde em cinco bairros sociais de Braga, para reforçar os conhecimentos desta população quanto às medidas preventivas da covid-19. Os resultados foram recentemente divulgados e a conclusão principal é de que este tipo de iniciativa "é realmente eficaz, deve ser replicada e pode ser expandida a outras patologias".

A ideia começou por ser proposta à Escola de Medicina da Universidade do Minho pela Câmara Municipal de Braga que, por sua vez, lançou a ideia ao NIBraga - Núcleo de Internos do ACeS de Braga, que contou com a parceria do ACeS Cávado I - Braga e da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa.

O objetivo era ir aos bairros e reunir pequenos grupos de pessoas de diferentes idades, dando formação sobre a forma mais correta de usar a máscara, higienizar as mãos e pôr em prática todas as restantes medidas necessárias para se prevenir a infeção por SARS-CoV-2.


Foto tirada no final da última sessão de educação para a saúde no Bairro de Santa Tecla. Inclui os médicos internos de MGF que deram a formação e ainda os colaboradores da Cruz Vermelha responsáveis pela mediação das sessões neste bairro.

A dinamização do projeto partiu de uma participação 100% voluntária dos médicos internos de Medicina Geral e Familiar (MGF) de Braga, sendo que cerca de 30 destes profissionais foram aos bairros sociais de Santa Tecla, Picoto, Enguardas, Parretas e Andorinhas.

Mais que falar de covid-19, conheceram as condições habitacionais e as características culturais de uma população heterogénea, onde se concentram populações mais desfavorecidas e algumas minorias étnicas.

Empoderamento do utente

Ao fim de um ano, os resultados mostram que estas intervenções locais podem traduzir-se em “importantes ganhos em saúde numa população com características tão especiais, já que se notou uma melhoria de conhecimentos após a intervenção, com resultados estatisticamente significativos”.

A explicação é dada à Just News por Jorge Hernâni-Eusébio, que foi um dos responsáveis pelo projeto comunitário e que é médico interno de MGF na USF do Minho, além de assistente convidado na Escola de Medicina da Universidade do Minho.


“A prevenção, tanto da COVID-19 como de qualquer outra patologia, passa primordialmente pela educação para a saúde, que continua a ser a pedra basilar da Medicina Preventiva, empoderando o utente sobre diversos assuntos de saúde e prevenção de doença, através da partilha de conhecimento proveniente de fontes fidedignas”, acrescentou.


Jorge Hernâni-Eusébio

Personalizar formas de educação para a saúde

Estas ações, que envolvem a MGF, são uma forma de se contornar um dos maiores problemas que afeta a Saúde Pública: a iliteracia em Saúde, muitas vezes associada à baixa escolaridade. No caso dos participantes desta iniciativa, verificou-se que quase metade destes apenas tinha completado o 1.º ciclo de escolaridade.

Para Jorge Hernâni-Eusébio, o estudo demonstra que “os profissionais de saúde devem refletir sobre formas mais personalizadas de educação para a saúde, ajustadas à faixa etária e ao nível de escolaridade, uma vez que melhores resultados foram verificados em participantes mais jovens e com melhores níveis de escolaridade”.


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