Melhorar a saúde cardiovascular dos doentes e intervir para que «vivam para a vida e não para a doença»

Lisboeta de gema, 61 anos. Podia ter sido engenheiro, porém, o gosto pela Medicina, em particular pela Cardiologia, falou mais alto. Miguel Mendes é o novo presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, uma responsabilidade que encara como um desafio e que aceita como uma honra e à qual diz ter de corresponder positivamente. É diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental e confessa que o Hospital de Santa Cruz é a sua casa.



Em entrevista de fundo à Just News, publicada na mais recente edição de LIVE Cardiovascular, Miguel Mendes começa por assumir que os "importantes projetos" lançados pela anterior Direção "precisam de ser acarinhados", sendo necessário manter a continuidade na ação e não estar a fazer recomeços sucessivos a cada dois anos, por ocasião de cada início de mandato".

Relativamente ao desenvolvimento de novos projetos, adianta que "temos ideias importantes na área da educação, em termos de formação dos cardiologistas, assim como temos projetos de acreditação de reuniões científicas e de laboratórios, por exemplo, de ecocardiografia, prova de esforço, hemodinâmica e eletrofisiologia".

Explica ainda que "tentaremos avançar pela dignificação da carreira, propondo novas subespecialidades e competências ao Colégio da Especialidade e à Ordem dos Médicos. Queremos defender o trabalho de cardiologista, enquanto grupo profissional, assegurando a sua formação contínua, assim como a de colegas de outras especialidades, com os quais colaboramos em prol da saúde dos doentes."

O presidente faz questão de destacar que "a colaboração com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) é estratégica, pois, são esses profissionais que seguem, no dia-a-dia, a maior parte dos doentes do foro cardiológico."



Além da saúde cardiovascular... "para que vivam para a vida e não para a doença"

Entre vários outros temas abordados ao longo da entrevista, o presidente da SPC explica que se interessa muito pela relação entre a doença cardíaca e a psicologia dos doentes:

"As emoções estão no cérebro, mas as pessoas relacionam-nas muito com o coração, pelo que a patologia cardíaca tem um grande impacto psicológico na qualidade de vida dos doentes. O desafio de tentar fazer entender aos doentes que, apesar de serem portadores de uma doença cardíaca, podem, na maior parte dos casos, viver uma vida com realização pessoal é muito interessante para mim."

Na sua opinião, em reabilitação cardíaca, "temos muitas vezes de ´arrumar cabeças`, retirando-lhes as inseguranças e medos. As pessoas têm que continuar a viver a sua vida, apesar das doenças. A partir de determinada altura da vida, muitas vivem para as consultas e para os exames e deixam de ter uma vida normal. Não têm relações pessoais, não estão com a família, não têm amigos, não passeiam, não visitam exposições, nem vão ver um pôr-do-sol… Coisas boas e normais da vida!".

Miguel Mendes afirma inclusive: "Assumo que tenho que intervir para melhorar a sua saúde cardiovascular, mas também modificando a perceção pessimista condicionada pela doença, para que vivam para a vida e não para a doença."

Licenciado pela FMUL e especialista em Cardiologia, desde 1988, além de presidente da SPC, Miguel Mendes é, desde há cerca de 5 anos, diretor do Serviço de Cardiologia do CHLO e professor auxiliar convidado de Cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas, desde 2012. É ainda, desde 1988, responsável pelo Programa de Reabilitação do Instituto do Coração e diretor médico do Clube Coronário de Lisboa, da Faculdade de Motricidade Humana (fase 3), desde 1992.


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