APIC e GEFERC assinam protocolo para melhorar reabilitação cardíaca

Em Portugal, menos de 10% dos doentes acedem a programas de reabilitação cardíaca após um enfarte agudo do miocárdio (EAM). Com o objetivo de melhorar esta situação, foi assinado um protocolo entre a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular e o Grupo de Estudo de Fisiopatologia do Esforço e Reabilitação Cardíaca. Estas duas entidades, que integram a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, foram representadas pelo presidente da APIC, Hélder Pereira, e pela coordenadora do GEFERC, Ana Abreu.

“A união entre as duas entidades surge na sequência da iniciativa Stent for Life, mas, desta vez, numa perspetiva de prevenção secundária. Os doentes que tiveram um EAM necessitam de centros de reabilitação cardíaca, não devendo ficar sem um acompanhamento multidisciplinar”, afirma Hélder Pereira, presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).

Apesar de já existirem alguns hospitais com centros de reabilitação cardíaca, menos de 10% dos doentes têm acesso aos mesmos. “Com este protocolo, pretendemos educar o doente e a família para a importância do acompanhamento após EAM, sensibilizar os cardiologistas para apostarem mais nesta via e alertar a tutela para a importância de abrir mais centros.”

Um trabalho difícil, “porque nem todos os cardiologistas têm a cultura de encaminhar os doentes para estes centros, além da restrição dos mesmos, porque são poucos”. Quanto ao esforço de sensibilização junto da tutela, “é preciso passar a mensagem de que o investimento nestes centros, que implicam equipas multidisciplinares, vão trazer poupança a médio e longo prazo, ao reduzir reinternamentos por problemas cardiovasculares”.

Ana Abreu acrescenta: “A maioria das pessoas que sofrem um EAM é seguida em consulta hospitalar ou pelo médico de família, sem acesso a um programa multidisciplinar que inclua as diversas vertentes necessárias à reabilitação.”

A coordenadora do Grupo de Estudo de Fisiopatologia do Esforço e Reabilitação Cardíaca (GEFERC) salienta a importância destes doentes poderem usufruir de uma equipa multidisciplinar “que lhes disponibilize um programa, incluindo treino de exercício para recuperação funcional, sessões educativas para controlo de fatores de risco e a promoção de uma vida saudável, assim como para aumentar a adesão à terapêutica, que é fundamental”.

“É uma realidade preocupante, porque a reabilitação contribui para melhorar a qualidade de vida destes doentes, além de diminuir o risco de um segundo enfarte”, esclarece Ana Abreu.

A especialista acredita que este sinergismo entre a APIC e o GEFERC será uma estratégia essencial para aumentar a aposta na reabilitação cardíaca em Portugal, em sintonia com as recomendações europeias.



Fausto Pinto, presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia, considera que este protocolo “é mais uma forma de dinamizar e reforçar a implementação de centros de reabilitação cardíaca, que na Europa do Sul existem numa percentagem muito baixa”. O especialista frisa ainda o trabalho da SEC na disseminação destes centros, “que vai continuar até que se consiga o melhor para os doentes”.

Para além de Fausto Pinto, a assinatura do protocolo, que aconteceu nas próprias instalações da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, também foi testemunhado por José Silva Cardoso, presidente da SPC, e Miguel Mendes, presidente eleito.





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