Autonomia do Serviço Social do CHUSJ permite otimizar o apoio psicossocial a doentes e famílias

Desde final de 2019 que o Serviço Social do Centro Hospitalar Universitário de São João se encontra na dependência direta do Conselho de Administração. Uma mudança que resulta, em boa parte, do dinamismo dos assistentes sociais, conforme explica à Just News a diretora do Serviço, Alexandra Duarte.


Na sua opinião, os assistentes sociais do CHUSJ têm assumido claramente o papel de "agentes de mudança" no centro hospitalar, com uma crescente intervenção no campo da prevenção e do trabalho em equipa, melhorando, em última análise, o apoio psicossocial prestado a doentes e familiares.

Alexandra Duarte reforça esta ideia, acrescentando que "a proatividade é a principal característica diferenciadora da equipa do Serviço Social, que se destaca pela metodologia de trabalho adotada".


“É impossível haver um assistente social por cada 60 camas"

Há mais de 16 anos a trabalhar no Hospital de São João, Alexandra Duarte começou por integrar o Serviço Social – composto, à época, por 10 a 15 assistentes sociais −, prestando apoio ao Serviço de Psiquiatria, “uma área muito interessante na componente social e clínica”. Dois anos depois, viria a dar apoio à Medicina Interna, juntamente com três colegas.

“Não podia dedicar-me em exclusivo aos doentes da Medicina Interna devido ao rácio inadequado de assistentes sociais no hospital”, aponta. Aliás, a necessidade de mais profissionais é reconhecida por todos.


Alexandra Duarte: “A nossa intervenção é muito importante no apoio e no acompanhamento psicossocial dos doentes e dos seus familiares”

A título comparativo, note-se que os 25 assistentes sociais que, atualmente, desenvolvem atividade no São João são em menor quantidade de que em qualquer outro hospital central. E uma coisa é certa: “É impossível haver um assistente social por cada 60 camas.”

Importa não esquecer que, para além do internamento, o Serviço Social tem de acorrer às consultas externas e aos centros de referência, por exemplo, além de integrar várias equipas multidisciplinares, como a dos Cuidados Paliativos, ou a do Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco.

Na opinião de Alexandra Duarte, a nível nacional, além da própria Associação dos Profissionais de Serviço Social – que já existe −, “faz falta um organismo que se preocupe com a organização e normalização dos conceitos” e que, após 20 anos de esforços, está finalmente a implementar-se, sob a forma de Ordem dos Assistentes Sociais, oficialmente criada em março de 2019.



Valorização do Serviço Social pelas outras especialidades


Assumindo em 2019 o cargo de diretora do Serviço de Ação Social do CHUSJ, Alexandra Duarte salienta que, neste momento, a equipa encontra-se numa fase de “reorganização e implementação de novas metodologias de trabalho”, nomeadamente, com “uma maior participação nas equipas multidisciplinares, o trabalho por indicadores de vulnerabilidade/risco social e a implementação de projetos de investigação”. 

Neste momento, o Serviço encontra-se organizado de forma a desenvolver uma intervenção em parceria permanente com outros profissionais da equipa de tratamento, com o doente, com as famílias e com as instituições comunitárias, "no sentido de serem diagnosticadas as necessidades sociais o mais precocemente possível".

De resto, não hesita em sublinha que, no CHUSJ, "o Serviço Social é reconhecido e valorizado pelos colegas das outras especialidades”.



“As políticas sociais que temos em Portugal não 
acompanharam a evolução do próprio envelhecimento”

Quanto às questões que mais preocupam Alexandra Duarte, elas relacionam-se com a integração das pessoas mais velhas em ambiente protegido: “Muitas apresentam doenças graves e não têm retaguarda familiar, ficando reféns do Sistema, a aguardar uma resposta condigna, de qualidade e respeito.”

Quando esta entrevista foi realizada, no início de julho, 29 doentes com alta clínica aguardavam resposta da Segurança Social. “O último doente que saiu, esta semana, estava cá desde 2018. Foram 642 dias de vida suspensa!”, refere a assistente social.



Alexandra Duarte frisa que, muitas vezes, o aumento da longevidade “não está associado a uma maior qualidade de vida da pessoa, mas a doenças crónicas para as quais as estruturas não estão preparadas para dar resposta”. E observa: “Esquecem-se de preparar o ciclo de vida de um envelhecimento saudável.”

Além de se comprometer, assim, a qualidade de vida e a própria dignidade que é devida ao doente, potenciando “múltiplas infeções e problemas psicológicos”, a nossa entrevistada acrescenta que essa situação acarreta igualmente “um custo muito mais elevado ao Estado”.

Até porque “a despesa diária com uma pessoa internada num Serviço de Medicina Interna paga em dois ou três dias a mensalidade de um lar”.

Nesse sentido, Alexandra Duarte destaca a mais-valia que representaria a promoção de cuidados integrados na comunidade, “conjugando o acompanhamento social com um apoio de saúde e ainda com cuidados domiciliários alargados e personalizados, que não se cingissem às respostas clássicas de higiene e alimentação”. 

Serviço Social com "autonomia técnica e organizacional"

O Serviço Social existe no CHUSJ desde a sua fundação, na década de 50. No entanto, no decurso dos anos, foi sofrendo alterações organizacionais, de acordo com as orientações internas definidas pelas várias administrações.

Em 2009, o Serviço Social integrou o Serviço de Humanização (HUM) e passou a designar-se “Unidade de Ação Social (UAS) ”. Em função da publicação do Regulamento Interno do CHUSJ de outubro de 2019, a UAS deixou de integrar o HUM, tornando-se um serviço autónomo e passando a designar-se Serviço de Ação Social (SSoc).

Integrado na Área de Apoio à Produção Clínica, encontra-se na dependência direta do Conselho de Administração, "sendo dotado de autonomia técnica e organizacional".




A reportagem completa pode ser lida na edição de setembro/outubro do jornal Hospital Público.

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