Cardiologia de Intervenção de Santa Marta: procedimento «inovador na Península Ibérica»

Especialistas do Laboratório de Hemodinâmica do Hospital de Santa Marta/CHLC realizaram, "pela primeira vez na Península Ibérica, um procedimento percutâneo inovador", que consiste na implantação de uma válvula restritora do seio coronário, designado por Reducer, em três doentes, que tinham já esgotado "as demais hipóteses de revascularização".

Doentes com alta "na manhã seguinte"

Em declarações à Just News, Duarte Cacela, cardiologista de intervenção do Hospital de Santa Marta, explica que “o procedimento correu muito bem, não se tendo registado qualquer intercorrência", salientando que, "aliás, os pacientes tiveram alta na manhã seguinte. Contudo, o timing para avaliar o sucesso deste dispositivo situa-se nos três meses pós-procedimento”. 

De acordo com o especialista, as implantações foram supervisionadas por Shmuel Banai, cardiologista de intervenção em Telavive, Israel, e um dos autores do estudo COSIRA, publicado no New England Journal of Medicine, em 2015.



"uma mais-valia para estes doentes"

Segundo explica Duarte Cacela, o Reducer destina-se a doentes que mantêm angina sob terapêutica farmacológica e que já não são candidatos a revascularização cirúrgica ou percutânea.

O procedimento é considerado, "sem dúvida, uma mais-valia para estes doentes" e, adianta o cardiologista de intervenção que continuará a ser feito em Portugal. “O prof. Shmuel Banai acompanhou-nos nestes primeiros casos e voltará a fazê-lo numa próxima sessão. Posteriormente já estaremos em condições para prosseguir o programa autonomamente”, indica.

Experiência “muito gratificante”

Falando em seu nome, no dos outros cardiologistas de intervenção envolvidos – Rúben Ramos e António Fiarresga – e da restante equipa, entre enfermeiros, técnicos de cardiopneumografia e de radiologia, Duarte Cacela menciona que este tipo de experiências, com técnicas inovadoras é “muito gratificante”.

“Na data em que fizemos este procedimento era dia de greve nacional da função pública e não houve ninguém no laboratório de hemodinâmica que hesitasse em prescindir de um direito cívico e, com diligência, boa vontade e bom humor, todos asseguraram o sucesso desta experiência inicial com o Reducer”, conta.

E conclui: “Mas talvez o aspeto mais gratificante seja o reconhecimento dos nossos doentes do nosso empenho em não desistirmos deles e em procurar sempre alguma forma de lhes poder minorar o desconforto da doença.”


 


Na próxima edição de LIVE Cardiovascular pode ser lida a entrevista completa com Duarte Cacela.

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