Casos de cancro devem aumentar 20% até 2030

De acordo com a presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Gabriela Sousa, o aumento dos casos de cancro é explicado, em parte, pelo envelhecimento da população, mas sobretudo por fatores civilizacionais: tabaco, álcool, obesidade e sedentarismo. O alerta surge a propósito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, assinalado dia 4 de fevereiro, e de uma campanha de âmbito nacional realizada com o apoio da SPO.

Segundo a oncologista do IPO de Coimbra, no homem, o cancro da próstata é o tumor maligno mais frequente, contudo, “a sua evolução ocorre, geralmente, ao longo de anos, pelo que não é o que mais mortes provoca”.

Na mulher, apesar de o cancro da mama ser o tumor maligno mais frequente, “o diagnóstico precoce e os avanços no tratamento têm permitido, ao longo dos anos, aumentar a sobrevivência das mulheres com este cancro”.

Gabriela Sousa indica que, em Portugal, o cancro é responsável por cerca de ¼ das mortes por doença natural: 24,3% dos óbitos em 2013. Além disso, é a principal causa de morte prematura abaixo dos 65 anos (31,7%), com muitos anos de vida perdidos.

Só em 2012, o cancro provocou 25.758 mortes, das quais 3813 foram por cancro do cólon e reto, o tumor que ocupa a principal causa de morte oncológica, seguido pelo cancro do pulmão, com 3675 mortes. “Cerca de 70% destes óbitos ocorreram em homens e em idade mais jovem que no geral, o que significa que o cancro tem um impacto social muito importante, porque é responsável por muitos anos de vida perdidos”, frisa a oncologista.



“O tabaco é o fator de risco mais importante, sendo responsável por cerca de 20% das mortes por cancro e cerca de 70% das mortes por cancro do pulmão. Nos países desenvolvidos, o cancro associado às infeções víricas, tais como o papilomavírus (HPV), um dos agentes responsáveis pelo cancro do colo do útero, e a ganhar cada vez mais importância no cancro da orofaringe e da cavidade oral, é responsável por 20% das mortes. Ao álcool e à obesidade também é atribuída a responsabilidade por uma elevada proporção de cancros a nível mundial”, adianta a presidente da SPO.

Gabriela Sousa conclui alertando que é importante chamar a atenção para o facto de que todos têm um papel a desempenhar na prevenção e no controlo dos fatores de risco associados ao cancro, o que pode promover melhores resultados individuais e coletivos em Saúde. “A prevenção começa em cada um de nós!”, sublinha.



Distribuído de norte a sul do país, nos hipermercados Jumbo, o Jornal do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Oncologia e do próprio Grupo Auchan (Jumbo).

A publicação, distribuída gratuitamente, tem a colaboração de Gabriela Sousa, bem como de vários outros especialistas, que esclarecem diversos aspetos relacionados com o cancro de uma forma global e com alguns cancros específicos. O jornal contém, assim, diversas informações, muito concretas, nomeadamente, sobre os avanços em termos de tratamento, prevenção, os sinais de alerta, o tratamento personalizado.

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