Centro de Terapêutica Combinada do CHUP celebra duas décadas de existência

Continuando a ser o único centro deste género do país para tratar toxicodependentes com VIH/sida e/ou tuberculose, o Centro de Terapêutica Combinada (CTC) do Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP) regista uma taxa de 90% de doentes que não abandona a medicação. 

Três infeciologistas, dois assistentes sociais, um psicólogo, um psiquiatra, quatro enfermeiros, um auxiliar de ação médica, com o apoio de farmacêuticos e um nutricionista do Hospital de Santo António / Centro Hospitalar do Porto – é esta a equipa que dá vida ao projeto criado em 1998, integrando o Centro de Terapêutica Combinada, localizado no antigo Hospital de Joaquim Urbano.

O CTC é uma das três áreas de trabalho do Serviço de Doenças Infeciosas do CHUP, que inclui, também, o Internamento, localizado no edifício do Hospital de Santo António, e a Consulta Externa, que engloba as consultas de VIH/sida, de Hepatites Víricas (B e C), de Medicina do Viajante, de Infeciologia Geral, de Estomatologia, de Alterações Metabólicas do VIH, de Profilaxia de Infeções Induzidas por Imunomoduladores e, mais recentemente, de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).



Em declarações à Just News, Rui Sarmento e Castro, que foi o grande impulsionador da criação do CTC, conta que a ideia surgiu no âmbito da sua tese de mestrado, que incidiu sobre o tema “Tuberculose em doentes com VIH”.

“Em 1997, avaliámos o que se passava com os nossos doentes com tuberculose e VIH e concluímos que 40% morriam 12 meses após o diagnóstico de tuberculose, porque alguns chegavam muito tarde ao hospital e uma grande parte deixava de fazer a medicação”, relata o diretor do Serviço de Doenças Infeciosas do CHP.

“Embora uma grande parte desses doentes saísse pelo seu pé do hospital após o diagnóstico de tuberculose, abandonavam as consultas, quer as do Hospital de Joaquim Urbano, quer aquelas para as quais eram encaminhados, particularmente as do Centro de Diagnóstico Pneumológico, onde deveriam efetuar o tratamento, o que acabava por conduzir ao agravamento da infeção e falecimento dos doentes”, diz.



Neste contexto, resolveu-se, em 1998, realizar um acordo com os serviços de toxicodependência do Porto, através do qual fosse criada uma entidade onde os doentes pudessem fazer metadona e, simultaneamente, o tratamento da tuberculose e do VIH. Em 2001, foi feita uma avaliação desta experiência, onde se concluiu que a mortalidade, que inicialmente era de 40%, baixou para 20%.

Nessa altura, os doentes eram acompanhados no CTC durante um ano e depois eram encaminhados de novo para os Centros de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) para continuarem a fazer medicação e eram seguidos na consulta no hospital.

Mas o que acontecia é que parte dos doentes só fazia metadona, ou seja, não tomava a outra medicação que tinha de fazer, nem sequer os anterretrovíricos, e também não ia às consultas.

Decidiu-se então que, quando terminasse o período da tuberculose, os doentes passavam a tomar os antirretrovíricos no CTC sob observação direta, o que acontece ainda hoje. A maioria aceitou a proposta.

“De 1995 a 2012, tratámos os doentes que tinham hepatite C crónica com interferão e ribavirina, mas não era fácil captá-los para o tratamento, sobretudo pela toxicidade que estava ligada a esse regime. Por esse motivo, desde 2003, o CTC tratou igualmente os doentes que precisavam de tratar a hepatite C, com interferão e ribavirina, e agora com os novos agentes de ação direta (AAD)”, menciona.



Rui Sarmento e Castro faz questão de salientar o trabalho desenvolvido por todos os profissionais:

“As pessoas que aqui trabalham têm de ter um cariz e uma maneira de estar na vida particular. Quando os doentes entram no CTC são muito difíceis. Vêm de comportamentos e situações incríveis, desde não terem abrigo, não possuírem dinheiro algum, nem qualquer apoio social.”



A reportagem completa pode ser lida na íntegra no Hospital Público de julho, com declarações igualmente da infeciologista Ana Horta, ligada ao CTC desde o início, e de Sandra Carvalho, enfermeira responsável pelo CTC, projeto ao qual está ligada há 13 anos.

 

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