Telemedicina na área das demências: projeto da Neurologia do CHUC «já em fase de testes»

O Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), dirigido por Isabel Santana, vai arrancar com um projeto de telemedicina, que "deverá ser concretizado a curto prazo".

Em declarações à Just News, a médica adianta que a criação desta consulta vai permitir "implementar o apoio a outros neurologistas" na área das demências, mas não só, e, dessa forma, "serão criadas condições para que os doentes tenham uma assistência de proximidade com a qualidade das consultas ditas de referência".

Isabel Santana explica que o projeto, "já em fase de testes", irá envolver, "em princípio, todos os hospitais da região centro que mostraram interesse em ter este tipo de relacionamento".


Neurologista nos Hospitais da Universidade de Coimbra desde 1992, Isabel Santana é também professora convidada e responsável pela disciplina de Neurologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

A vontade da equipa em contribuir para a melhor prestação de cuidados possível leva a neurologista a querer estender o apoio a outros profissionais: "Talvez mais para a frente tenhamos recursos para chegar onde queremos – os cuidados de saúde primários.”

Demência e organização de cuidados de saúde: uma prioridade!

De acordo com Isabel Santana, a importância epidemiológica da demência e a grande preocupação de todos com as suas capacidades intelectuais catapultou estes transtornos para a linha da frente da Neurologia e isto reflete-se nos sistemas de saúde. A neurologista dá um exemplo:

“As queixas cognitivas são, atualmente, o primeiro motivo de pedido de 1.ª consulta de Neurologia no CHUC, representando 30% dos pedidos, e a nossa consulta não deixa de subir em números. Como se depreende, este incremento implica principalmente um investimento de recursos humanos altamente especializados nestas consultas de referência, mas sobretudo um plano estratégico nacional que, obviamente, deverá ter como parceiro fundamental os CSP.”

A especialista considera que os médicos de família vão ser “cruciais” neste processo, porque nem todos os doentes terão acesso ou seguimento em consultas especializadas ("e, provavelmente, também não necessitarão").


Isabel Santana: “Um dos desafios no cuidado aos idosos é a demência, que afeta 5% das pessoas com mais de 65 anos, com um perfil de aumento exponencial com a idade”

Assim, serão os médicos de família que, pela proximidade com o doente, têm um conhecimento privilegiado do seu contexto médico, "que vão ser chamados a identificar, orientar e, eventualmente, selecionar os casos que devem ser referenciados para uma consulta de especialidade".

Esta tarefa de rastreio e orientação impõe “conhecimento específico, nomeadamente em termos de avaliação cognitiva, o que implica tempo e formação”. Daqui se percebe a vontade de Isabel Santana em alargar o apoio, via telemedicina, aos profissionais dos cuidados primários.


A Consulta está organizada quase como uma "clínica de memória": com o apoio da enfermaria (por exemplo, quando é necessário fazer exames invasivos como punção lombar) e a ajuda da Neuropsicologia e do Laboratório de Neuroquímica.

Consulta dedicada à demência desde 1994

Desde 1994 que Isabel Santana coordena a Consulta de Demência e o Laboratório de Funções Nervosas Superiores, que funcionam como uma "clínica de memória" de referência no país.

Estas valências foram criadas para dar resposta à demência, uma patologia emergente, além de proporcionarem a avaliação e orientação de outros transtornos cognitivos menos frequentes.  Foi a segunda consulta do país, depois da experiência pioneira de Carlos Garcia no Hospital de Santa Maria.


Elementos envolvidos na Consulta de Demência: Marisa Lima (psicóloga), Bruno Silva (neurologista), Joana Marçal (enfermeira), Isabel Santana (neurologista), Miguel Pereira (neurologista), Inês Baldeiras (investigadora), Ana Maduro (neurologista), João Durães (neurologista), Diogo Carneiro (neurologista) e Ana Inês Martins (neurologista) 

A Consulta integra seis neurologistas (começou com um médico), uma neuropsicóloga e vários estagiários da área e tem o apoio da Enfermagem, de técnicos da área social e de um elemento da Associação de Alzheimer para suporte e formação dos cuidadores, uma colaboração que Isabel Santana afirma ser “muito importante”.

A médica sublinha que, em 2017, foram realizadas mais de 1200 consultas, estando em curso "diversos ensaios clínicos de fármacos inovadores que intervêm no processo de morte neuronal e, portanto, são potencialmente estabilizadores ou previnem a doença de Alzheimer.

Esclarece que estes ensaios experimentais destinam-se a "casos muito iniciais de demência ou de defeito cognitivo ligeiro (a fase mais inicial, em que as pessoas só têm algum esquecimento)".

E acrescenta: “Estamos a começar um ensaio muito interessante em pessoas sem sintomas que têm risco elevado de desenvolver doença de Alzheimer (pela história familiar ou porque têm um perfil genético específico)”, refere.



A reportagem completa sobre a Consulta de Demências da CHUC, que inclui também declarações de Inês Baldeiras, responsável pelo Laboratório de Neuroquímica, pode ser consultada no Hospital Público de janeiro.

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