Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria assegura resposta em todas as áreas

A história do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria, hoje integrado no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN), teve início há mais de meio século, pelas mãos de Batista Fernandes, seu primeiro diretor.

Desde aí, segundo o seu sucessor, Victor Fernandes, a estrutura tem desenvolvido um trabalho importante, não só no ensino da cirurgia plástica e na formação dos internos como também no crescimento e na afirmação da Cirurgia Plástica em Portugal, o que motiva ser tema de uma ampla reportagem no Hospital Público de dezembro.


Victor Fernandes

Segundo este cirurgião plástico de 65 anos, o Serviço sempre teve a tradição de orientar os médicos que ali têm trabalhado para áreas específicas da especialidade, indicando ser o único do país que é departamentalizado.

“As disciplinas da cirurgia plástica estão atribuídas a alguém que as desenvolve de forma prioritária em relação ao conjunto do seu próprio trabalho”, clarifica, em entrevista à Just News, o também presidente do Colégio da Especialidade de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética, cargo que ocupa desde 2006.

Para Victor Fernandes, é importante que todos se sintam satisfeitos e livres de tomar as suas próprias opções em termos técnicos e do seu próprio desenvolvimento profissional.



Quatro anos depois de assumir a direção, a situação do Serviço de Cirurgia Plástica está equilibrada do ponto de vista dos recursos humanos e consegue dar uma boa resposta a nível nacional.

No entanto, Victor Fernandes gostava de conseguir contratar mais especialistas para poder desenvolver as áreas de cirurgia craniofacial, maxilofacial e de reconstrução cirúrgica da cabeça e pescoço e mama, procedimentos de “elevada complexidade e excelência clínica”.

“Embora cada elemento da equipa médica se dedique a uma ou mais áreas em particular, todos passam também pela Urgência”, indica.

Remodelação no internamento

A atividade decorre no piso 7, onde estão o Internamento, o Bloco Operatório e a Unidade de Queimados, e no piso 01, onde acontece a Consulta Externa. Neste momento, está programada uma remodelação, em particular no Internamento.

“Além da estrutura antiga do hospital, o próprio Serviço de Cirurgia Plástica tem muitas deficiências, como o facto de ter casas de banho comuns (uma para os homens e outra para mulheres) para distribuir por 18 ou 20 doentes, onde não passam cadeiras de rodas. Além disso, tem enfermarias grandes, com seis camas, onde se torna difícil a sua gestão para os profissionais de saúde, não só por haver doentes dos dois sexos, mas também por causa das infeções hospitalares”, explica.



Victor Fernandes salienta o “extraordinário trabalho" que a equipa de enfermagem tem feito no sentido de conseguir dar a qualidade assistencial aos doentes que estão internados, face às condições logísticas.

No final das obras, o Serviço passará a ter quartos de três camas com casa de banho privativa e um quarto de isolamento, além das salas de tratamento.

Cirurgia Plástica “não tem uma área anatómica definida”

Neste momento, tem como unidades funcionais a Consulta Externa, o Internamento, a Unidade de Queimados e um Bloco Operatório próprio. Além disso, desenvolve também atividade no Bloco de Ambulatório do CHULN, situado no Hospital Pulido Valente, onde se localizam as unidades de Ambulatório do Serviço e da própria instituição.

Há depois setores que se dedicam a áreas específicas, em particular à mão; ao nervo periférico; às lesões do plexo braquial; à reconstrução mamária; ao tratamento pós-obesidade; às fendas lábio-palatinas; à cirurgia maxilofacial; à cirurgia craniofacial; à reconstrução craniofacial e aos tumores dos tecidos moles.

Victor Fernandes sublinha que a Cirurgia Plástica “é uma especialidade que não tem uma área anatómica definida”, ou seja, “começa no cabelo e acaba na unha do pé”. Por esse motivo, torna-se difícil fazer a gestão em termos de desenvolvimento técnico e científico, tornando-a “apetecível” para várias outras disciplinas que estão à volta e que estendem até si a área de influência.

Na opinião do especialista, a forma que os cirurgiões plásticos têm de combater esta tendência é sendo melhores. Para tal, afirma, “é preciso trabalhar muito e ter pessoas que sejam dedicadas a determinados campos de saber”.


O facto do Serviço de Cirurgia Plástica do CHULN ser Centro de Referência Europeu para o Tratamento da Fenda Lábio-Palatina é indicador da procura pela excelência que motiva a equipa liderada por Victor Fernandes

Resposta à lista de espera tem vindo a reduzir

A resposta à lista de espera para cirurgia tem vindo a melhorar significativamente. Há quatro anos, era de 1000 doentes e, atualmente, situa-se nos 400. No entanto, Victor Fernandes acredita que haveria margem para melhorar ainda mais se as limitações da instituição fossem atenuadas, em particular no campo da Anestesiologia.

“Necessitamos, urgentemente, que o Ministério da Saúde olhe para esta casa e perceba que o corpo de anestesiologistas é insuficiente para as necessidades e para a atividade cirúrgica. Para conseguirmos responder em tempo à lista de espera precisamos urgentemente de reforçar o Serviço de Anestesiologia”, salienta.

Adicionalmente, a implementação do Sistema de Livre Escolha e Circulação de Doentes no SNS também tem influência na lista de espera. E, no caso do CHULN, que é central e universitário e, que, conforme refere Vítor Fernandes, deveria, à partida, tratar os casos mais graves e diferenciados, também tem de tratar das situações menos complexas.

Na opinião do nosso entrevistado, esta lei poderia funcionar bem se o mercado fosse livre, ou seja, se os hospitais pudessem contratar quem querem para fazer face às necessidades.


O Serviço cobre todas as áreas da Cirurgia Plástica, um aspeto que, a par com o ensino pré-graduado, o diferencia

Nesta fase, e devido à carência de recursos humanos na área da Anestesiologia, em ambulatório apenas são realizadas cirurgias com anestesia local. No futuro, pretende-se conseguir uma ambulatorização com o apoio da anestesia geral, com vantagens não só para os doentes como também para o hospital (do ponto de vista económico).

Unidade de Queimados com "as melhores taxas de sobrevivência"

A Unidade de Queimados, fundada há 30 anos por Batista Fernandes, ainda hoje se mantém moderna, embora necessite de mudanças. Ainda assim, “consegue, tendo a pool de doentes mais graves do país, as melhores taxas de sobrevivência”, refere Victor Fernandes. Uma realidade que se deve, "essencialmente, aos profissionais que a integram".

É coordenada pela Cirurgia Plástica, contando não só com cirurgiões plásticos especializados, mas também com uma equipa de anestesiologistas dedicada que dá apoio ao equilíbrio do doente, o que é “absolutamente fundamental” para a sua sobrevivência.

Desde que Victor Fernandes assumiu a direção do Serviço que percebeu que a intervenção necessária na Unidade de Queimados é incompatível com o espaço onde hoje se localiza e a previsão é de que venha a relocalizar-se no piso 2, junto à Urgência e à Imagiologia, “dois polos fundamentais para o seu funcionamento”. Neste momento, aguarda-se a possibilidade de lançar o concurso público internacional, para que se possa avançar com o projeto.



Ensinar e aprender com os alunos

Enquanto Hospital Universitário, a vertente de ensino assume elevada importância no Serviço de Cirurgia Plástica do CHULN. “Nós ensinamos, mas aprendemos com os alunos, o que nos estimula e dá uma visão mais ampla e moderna", refere Victor Fernandes, desenvolvendo a ideia:

"O diálogo que estabelecemos e a própria interface com a FMUL permite o desenvolvimento de muitas atividades e, ao mesmo tempo, que se criem zonas de sinergia, nomeadamente, quando fazemos cursos com o apoio do Instituto de Anatomia, como a dissecção cadavérica.” Por outro lado, o médico salienta que “os próprios internos do Serviço sentem-se estimulados para participar no ensino”.

No Mestrado Integrado em Medicina, o Serviço é responsável por aulas teóricas e aulas práticas e pelas Práticas Clínicas Tutorias em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, mas, no futuro, pretende vir a aumentar a exposição a esta área no curso de Medicina.



“É necessário que o curso de Medicina, no contexto atual, tenha uma vertente de cirurgia plástica capaz de ensinar aos alunos como se faz observação de uma face traumatizada, de um queimado, de uma mão traumatizada, como se avalia um membro num acidente ou o que é possível oferecer a um doente depois de uma cirurgia oncológica na mama ou na face, entre outros procedimentos”, destaca.

Do ponto de vista da investigação, o Serviço tem tido solicitações para participar em investigação, não só internas, mas igualmente de instituições exteriores ao Centro Académico, como da Universidade do Algarve.

Victor Fernandes destaca, ainda, o facto de em estruturas como o CHULN existir uma grande disponibilidade para as pessoas trabalharem em conjunto, conseguindo-se, com alguma facilidade, encontrar zonas de diálogo e interface.  “O conhecimento avança quando nos confrontamos com o diferente”, frisa.




A reportagem completa pode ser lida no Hospital Público de dezembro. Além de Victor Fernandes partilhar a experiência da sua equipa relativamente a diversas questões, são igualmente entrevistados outros profissionais do Serviço de Cirurgia Plástica.

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