Cirurgia Robótica em Urologia: Portugal organiza pela primeira vez o «maior congresso mundial»

Cirurgias robóticas transmitidas em direto é um dos principais destaques do “maior congresso mundial de cirurgia urológica robótica”, sublinha Kris Maes. O urologista no Hospital da Luz Lisboa preside à comissão organizadora do 16.º Congresso da Robotic Urology Section (ERUS 2019), uma secção da European Asssociation Urology (EAU).

Kris Maes, belga, é especialista em cirurgia robótica e mudou-se para Portugal para fundar o Centro de Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva do Hospital da Luz, que é o único certificado pela Secção de Urologia Robótica da EAU na Península Ibérica.


Kris Maes

Da Bélgica trouxe a experiência e o conhecimento num tipo de cirurgia que combina a minimamente invasiva tradicional (laparoscópica, toracoscópica, etc.) com a utilização de um dispositivo robotizado.

É esta técnica que o responsável quer divulgar mais em Portugal, com a organização do ERUS 2019. “Esperamos contar com a presença de urologistas, internos de formação específica em Urologia e de enfermeiros para que possam aprofundar os seus conhecimentos nesta área”, disse em entrevista à Just News.



Ao todo serão realizadas 18 cirurgias no Hospital da Luz Lisboa, que serão transmitidas em tempo real para o Centro de Congressos de Lisboa, onde terá lugar o evento.

“Vamos receber urologistas especialistas em cirurgia robótica, de vários países, que irão demonstrar os benefícios do recurso a robôs, como apoio na intervenção cirúrgica”, enfatiza.

Olhando para os números, serão “18 cirurgias em 2 dias, o que implica 3 blocos operatórios, 3 robôs e 3 equipas”. Os casos patológicos são diversos, dando-se, contudo, especial atenção aos cancros da próstata, rim e bexiga.

“São práticas comuns no Hospital da Luz; por ano fazemos cerca de 250 intervenções e, desde o início (2011), já chegámos às 1500. Pessoalmente, contando com o trabalho na Bélgica, já ultrapassei as 2000 cirurgias por esta via.”


Kris Maes com a enfermeira Cristiana Guerreiro, uma das coordenadoras do Bloco Operatório

“Obviamente que não vai substituir as outras técnicas cirúrgicas”

Kris Maes foi convidado para dar formação e integrar a equipa do Hospital da Luz Lisboa em 2011, mas só vive em Portugal desde 2013. “Comecei por dar formação, mas como o objetivo era fundar o Centro, achei que seria oportuno viver aqui.”

Desde então tem dado formação a vários colegas, inclusive portugueses. Para o urologista, são várias as vantagens deste tipo de cirurgia em comparação com a minimamente invasiva tradicional. “A definição de imagem, tridimensional, é superior; o interface digital filtra o tremor natural e aumenta a precisão dos movimentos do cirurgião; os braços robóticos rodam em torno de um ponto fixo, diminuindo a dor pós-operatória."

Mas não só. O especialista refere ainda outros benefícios: "A liberdade de movimentos dos instrumentos é grande e replica os movimentos potenciais do punho; a dissecção dos tecidos e a identificação dos planos anatómicos naturais faz-se com mais facilidade e melhor definição e as suturas manuais são mais precisas e seguras.”



O problema é o seu custo. “São robôs dispendiosos e obviamente que não é fácil levar um Governo a apostar nesta técnica, apesar de todas as suas vantagens”.

Contudo, acrescenta: “Com o tempo esta realidade vai mudar. Inicialmente também assistimos a alguma resistência à laparoscopia e, atualmente, é inconcebível não se recorrer a esta prática em muitas situações clínicas.”

Kris Maes é um grande defensor da cirurgia robótica, mas deixa um aviso para quem possa ter mais receios. “Obviamente que não vai substituir as outras técnicas cirúrgicas e faz sentido apenas em centros de referência, onde os profissionais de saúde têm um volume adequado de casos.”



Quanto à formação, o cirurgião salienta a sua qualidade. “Em Cirurgia, é o único caso em que a sociedade europeia tem um programa altamente estruturado.”

No ERUS 2019, além das cirurgias ao vivo, vão-se debater várias temáticas em torno da cirurgia robótica, nomeadamente, a Inteligência Artificial, a nanotecnologia e a rede 5G.  

Além de Kris Maes, a Comissão Organizadora Local integra Luís Campos Pinheiro, Rui Formoso, Bruno Graça, Tito Leitão e Estevão Lima.


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