Sociedade Portuguesa de Hérnia e Parede Abdominal investe em «formação mais sólida»

A escassa componente formativa específica, aliada ao constante surgimento de técnicas inovadoras na área da patologia da hérnia e da parede abdominal motivou um grupo de médicos a criar a Sociedade Portuguesa de Hérnia e Parede Abdominal, presidida por Sónia Ribas.

“A parede abdominal não pode ser vista como uma patologia simples e rápida, porque é muito mais do que isso e há casos muito complexos”, começa por referir Sónia Ribas, presidente desta sociedade científica, fundada em janeiro de 2020.

Na sua ótica, “muitos erros cometidos no tratamento da parede abdominal acontecem devido à falta de atenção que é dada a esta patologia”, considerando ser "crucial apostar numa formação mais sólida, mais fundamentada na evidência e mais certificada, para que os resultados sejam melhores”.

A necessidade de sensibilizar os jovens internos de Cirurgia e de outras especialidades para a importância da parede abdominal contribuiu também para a ideia de investir na criação de uma sociedade científica dedicada a esta área, dado que “até então, apenas descobríamos a verdadeira dimensão desta patologia já enquanto especialistas”.


Sónia Ribas

A nível institucional, a presidente da SPHPA realça também o facto de os hospitais centrais não valorizarem da "devida forma" a patologia da parede abdominal, "privilegiando outras áreas de diferenciação e a cirurgia oncológica", sendo, por norma, os profissionais dos hospitais mais periféricos a, progressivamente, mostrarem um maior interesse.

Sendo as cirurgias da parede abdominal realizadas por um leque de especialidades cirúrgicas, que pode contemplar ginecologistas, cirurgiões vasculares ou urologistas, além dos cirurgiões gerais, Sónia Ribas defende que todos devem procurar formar-se nesta vertente.

A hérnia incisional é exemplo de uma complicação pós cirúrgica que “pode surgir porque o encerramento da parede abdominal não foi realizado consoante demonstra a evidência”, defendendo a cirurgiã geral que “a formação deve estar presente em todas as especialidades cirúrgicas que fazem abertura da parede abdominal”.

Ganhos indiretos para a sociedade

Realizando-se cerca de 30 milhões de cirurgias da hérnia e parede abdominal por ano em todo o mundo, das quais dois milhões são relativas a hérnias inguinais, Sónia Ribas admite que esta é uma patologia muito frequente, que tem uma forte implicação a nível da qualidade de vida dos doentes.

Muito prevalente em idades jovens e em pessoas que se encontram em situação laboral ativa, a especialista alerta para “os períodos de ausência laboral, que trazem elevados custos indiretos para a sociedade”.

O domínio de técnicas mais avançadas, como as cirurgias minimamente invasivas, onde se incluem as laparoscópicas, é, para a profissional, uma mais-valia, ao permitir um retorno do doente ao trabalho muito mais precoce. Daí a “importância de existir um grupo de cirurgiões que domine estas técnicas, viabilizando ganhos indiretos para a sociedade, através da recuperação mais rápida do doente, do retorno mais rápido ao trabalho, da sensação de menor incapacidade e da maior qualidade de vida”.



1.ª Reunião da SPHPA em 2021

A necessidade de ações formativas dedicadas à patologia da hérnia e da parede abdominal foi uma das lacunas que fomentaram a criação da SPHPA. Até então, esta temática era abordada em congressos de cirurgia geral e em vários cursos nacionais, sendo abordado “apenas 1/5 ou 1/6 do que se deveria”, sendo o intuito dos membros dos corpos sociais da sociedade realizar uma reunião totalmente vocacionada para a área, bem como vários cursos.

Nesse sentido, é com alguma naturalidade, decorrente do "grande empenho de toda a equipa", que a SPHPA vai realizar a sua 1.ª Reunião este ano. Agendado para os dias 19 e 20 de novembro, o evento decorrerá no Grande Hotel do Luso e permitirá abordar as atualizações nas principais áreas da Cirurgia da Hérnia e da Parede Abdominal.

Módulos de formação bimensais

Uma vez que o primeiro encontro formativo físico ainda vai longe, a SPHPA decidiu dinamizar várias formações digitais, sob a forma de módulos, dedicados às temáticas da Profilaxia da Hérnia Incisionsal, Hérnias Ventrais e Incisionais, Hérnias da Região Inguinal e ainda Hérnias Para-estomais.

O 5.º e último módulo deste conjunto, subordinado à temática das Hérnias Incisionais Complexas, realizou-se na última quinta-feira, sendo que os profissionais de saúde que completaram todos os módulos têm agora a inscrição gratuita na 1.ª Reunião.

Realizados de forma bimensal, estes momentos educativos acabaram por ser o modo de a SPHPA se apresentar aos profissionais de saúde no contexto pandémico, dado que, até ao momento, não foi ainda possível realizar-se qualquer apresentação ou formação presencial.

“Tivemos de repensar a forma como nos poderíamos apresentar e esta foi uma oportunidade de resposta à pandemia em termos formativos”, esclarece Sónia Ribas.



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