Cuidados de saúde prestados «não devem ser medidos pela quantidade»

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), quer ver implementado em Portugal um sistema de saúde baseado na criação de valor para o doente e acredita que esse é o caminho para melhorar a prestação de cuidados dos hospitais portugueses.

O presidente da APAH explicou à Just News que, neste tipo de abordagem, "o enfoque passa a estar nos resultados em saúde, ao invés da quantidade de cuidados prestados". Ou seja, a prioridade "é o resultado final na saúde do doente”, sublinha Alexandre Lourenço.

Segundo o dirigente, este tipo de modelo está a ser cada vez mais difundido e Portugal pode ter muito a lucrar com esta abordagem. Aliás, exemplifica, “temos já o exemplo de gestão das USF e até mesmo no financiamento hospitalar, uma vez que cerca de 10% do seu total já depende de resultados”.



Na implementação deste processo, Alexandre Lourenço frisa que a APAH tem desenvolvido esforços para alargar esta metodologia e a sua aplicação, trabalhando com as sociedades médicas e científicas para a implementação de sistemas de controlo e avaliação de indicadores de processos e de resultados, tornando-os públicos para a população.

Na sua opinião, "estamos mais próximos de ter um modelo que sirva o doente" e diz mesmo que não estamos longe de um cenário de remuneração das instituições pelos resultados apresentados.

Modelos de financiamento em saúde: "debater soluções"

Um dos países que está neste momento a implementar um sistema de avaliação nestes moldes é o País de Gales. Por isso mesmo, Sally Lewis, especialista na matéria, será uma das convidadas da 2.ª Conferência de Valor APAH, que decorre já esta sexta-feira e sábado, 7 e 8 de julho, no Porto. “Modelos financeiros e de financiamento em saúde” será o tema em debate.

A iniciativa será marcada pela presença em Portugal de vários convidados estrangeiros, cujo objetivo último, afirma Alexandre Lourenço, é “criar um fórum da gestão hospitalar em que, mais do que apresentar problemas, serão debatidas soluções”.

Andrea Masina, diretor-geral do grupo de hospitais Villa Maria e que foi consultor da administração Obama na implementação do Obama Care nos EUA, vem falar sobre a sustentabilidade do sistema de saúde e como implementar uma estratégia para a sua mudança.

Destaque também para a presença no Porto de Miklós Szócska, ex-ministro da Saúde húngaro e perito da OMS, que dará o seu contributo abordando o tema “Gestão da mudança para a sustentabilidade dos sistemas de saúde”.

Para Alexandre Lourenço, a segunda conferência de valor APAH configura-se como uma “oportunidade única” para todos os participantes, não só pela presença de grandes peritos mundiais, mas igualmente pela presença de especialistas nacionais, parceiros e académicos que nos painéis de debate irão refletir sobre os temas apresentados.

Para que "saiam medidas concretas"

“Estas conferências são muito importantes para o sistema de saúde português e o nosso interesse é reunir interlocutores, ajudar a que a mudança possa avançar e definir os seus moldes”, realça o presidente da APAH.

Mais do que um mero acontecimento, o dirigente espera que deste evento "saiam medidas concretas" e relembra que da primeira conferência, realizada em Ílhavo, "foram extraídas conclusões que hoje estão já na agenda do Ministério da Saúde e de outros parceiros do sistema".

Convicto de que este encontro será um sucesso, Alexandre Lourenço reitera a sua importância para o sistema de saúde português, “pelos temas discutidos, a valia dos oradores e a criação de uma agenda política”.

Pela 2.ª Conferência de Valor APAH passarão também o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e o secretário de Estado Fernando Araújo. O evento encerra com a realização de dois workshops, um sobre novas tecnologias para o acompanhamento e monitorização da gestão e um outro sobre a responsabilidade civil do gestor hospitalar.




seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir