Cuidados Paliativos: «Os auxiliares de ação médica são também membros da equipa»

"Os auxiliares de ação médica (AAM) têm um papel importantíssimo numa equipa de Cuidados Paliativos, logo o seu papel não pode ser isolado da restante equipa”, refere Carlos Rodrigues, enfermeiro responsável da Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa.

O responsável falou à Just News na sequência da ação de formação “Noções Básicas de Cuidados Paliativos para Auxiliares de Ação Médica”, que decorreu a semana passada, em Lisboa.



Foram 36 os AAM que quiseram participar na ação de formação, a primeira para este grupo profissional. “Costumamos realizar este tipo de iniciativas e reparámos que contávamos com a participação dos AAM nos cursos para voluntários, o que revelava a necessidade que tinham de saberem mais sobre este tema”, indica Carlos Rodrigues.


Carlos Rodrigues

Para o enfermeiro, a capacitação dos AAM na área dos Cuidados Paliativos é essencial e não devia ser esquecida. “Deve-se dar mais atenção aos AAM, infelizmente nem sempre são devidamente valorizados.”

E acrescenta: “Como estão muito tempo com os doentes – e também com os familiares – mais facilmente conseguem detetar determinados problemas que necessitem da intervenção do médico, enfermeiro ou psicólogo; os AAM são também membros da equipa.”  


Alguns dos formadores e auxiliares de ação médica que participaram na iniciativa

Na ação formativa falou-se sobre a filosofia dos Cuidados Paliativos, da comunicação com o doente e a família, das medidas promotoras de dignidade e das estratégias de promoção do conforto.



Outra temática foi sobre os mitos que ainda existem em torno desta área da saúde, aos quais os AAM não são imunes. “Os mitos que estes profissionais podem ter são os mesmos que a restante sociedade, como, por exemplo, a ideia de que os Cuidados Paliativos apenas são adequados nos últimos dias ou horas de vida". Na verdade, estes cuidados podem mesmo ser prestados durante muitos anos.

Carlos Rodrigues esclarece ainda que "a intervenção não tem como objetivo abreviar o tempo de vida, sendo, antes, uma forma de se investir no conforto e qualidade de vida dos doentes e familiares".



Questionado sobre o balanço final desta iniciativa, tão pouco habitual em Portugal, o enfermeiro mostra a sua evidente satisfação, garantindo que irá ter continuidade: "Vamos realizar, pelo menos uma vez por ano, uma ação a pensar nas necessidades formativas dos AAM."


Alguns dos formadores da ação de formação: Nélia Trindade (enfermeira coordenadora da equipa de cuidados paliativos), Marta Pavoeiro de Sousa (psicóloga), Inês Romero (médica) e os enfermeiros Carlos Rodrigues, Luísa Gonçalves e Maria Sousa


Isabel Galriça Neto, diretora da Unidade de Cuidados Paliativos e Continuados do Hospital da Luz, participou também neste curso, partilhando alguma da sua vasta experiência na área. A intervenção da médica, que já presidiu à Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, incidiu sobre os "Princípios e filosofia dos cuidados paliativos".


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