Diagnóstico e Intervenção Cardiovascular do CHVNG/E celebra 25.º aniversário

Sendo hoje uma referência a nível nacional , o Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) faz do doente e da inovação o eixo central da sua atividade. O diretor, Vasco Gama Ribeiro, recebeu a Just News a propósito do 25.º aniversário da Unidade de Diagnóstico e Intervenção Cardiovascular (UDIC).

O médico começa por recordar quando a Unidade de Diagnóstico e Intervenção Cardiovascular (UDIC) iniciou a sua atividade, já lá vão 25 anos:

“A Unidade abriu a 1 de abril e logo nesse dia aconteceu uma coisa espantosa: o nosso primeiro doente ia morrendo. Teve um choque anafilático retardado, situação de grande raridade. Estavam duas enfermeiras comigo que nunca tinham visto um cateterismo. Ficaram de tal maneira assustadas que me disseram que, se fosse sempre assim, iriam imediatamente embora, que desistiam. Foi o início da Hemodinâmica neste hospital.”



UDIC impulsiona "crescimento qualitativo e quantitativo do Serviço"

O espaço que a UDIC ocupava no então Hospital Eduardo Santos Silva era tão modesto que Vasco Gama Ribeiro lhe chama “a varanda”. Mas foi a abertura desta Unidade que viria a permitir "o crescimento qualitativo e quantitativo do Serviço de Cardiologia e a sua equiparação aos centros de referência na Europa".

Presentemente, a UDIC engloba três setores – a Eletrofisiologia e Pacing, o AngioTAC e a Hemodinâmica – e serve como referência direta a cerca de 800 mil habitantes dos concelhos de Vila Nova de Gaia, Espinho, Ovar, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis e Arouca.

No entanto, Vasco Gama Ribeiro faz questão de frisar que, como consequência da sua elevada diferenciação técnica, o Serviço de Cardiologia serve de apoio à região Norte como um todo, principalmente em situações clínicas mais críticas.


Parte da equipa do Serviço de Cardiologia do CHVNG/E liderada por Vasco Gama Ribeiro.

"O doente está no centro do nosso processo"

Os números não mentem: com mais de 2000 internamentos e um total de 23.462 consultas em 2016, o Serviço de Cardiologia do CHVNG/E é uma referência nacional. Mas, para Vasco Gama Ribeiro, o que conta realmente são as pessoas e o que é deixado às gerações futuras.

“O doente está no centro do nosso processo e de toda a equipa. Ele é a nossa prioridade e a nossa missão é devolvê-lo, com qualidade, à vida ativa”, diz.



"Transmissão do saber para as gerações futuras"

Para isso, o médico não tem dúvidas de que o caminho é estar na vanguarda e é essa a justificação para insistir constantemente na necessidade de construir "um legado de transmissão de conhecimento".

“Quem não publica não existe”, afirma, dizendo ser indispensável, no seu entender, transmitir o conhecimento e treinar os novos médicos.

“Tenho sido o timoneiro, mas sem esta equipa não era possível isso ser feito, nem ter o nível de excelência que apresentamos no tratamento dos doentes. É, de facto, um trabalho de grupo e de transmissão do saber para as gerações futuras”, completa.

A esse propósito, salienta que ainda recentemente, no Congresso Português de Cardiologia, elementos do Serviço foram responsáveis por 21 intervenções, tendo igualmente conquistado os primeiros prémios para o melhor poster e para a melhor apresentação oral.



“É verdade que na nossa génese, e presente na mente de todos, está uma preocupação muito grande com o trabalho assistencial de elevada qualidade, mas sem esquecer que é necessário construir com novos conhecimentos a base para o futuro”, sublinha.

Mas não se pense que inovar é uma palavra nova no dicionário do Serviço de Cardiologia do CHVNG/E. O seu diretor lembra, a esse respeito, que ousou avançar para o digital numa altura em que muitos ainda visionavam filmes de 35 mm.

“Este foi o primeiro Laboratório de Hemodinâmica totalmente digital no país, ao implementar a angiografia digital, que era um conceito completamente novo. Comprámos um protótipo e começámos a trabalhar, perante alguma perplexidade da comunidade médica”, recorda Vasco Gama Ribeiro, que afirma ainda que foi nesta Unidade que se deram os primeiros passos de uma terapêutica hoje denominada standard, a angioplastia para o enfarte agudo do miocárdio.



Eletrofisiologia e Pacing ocupam lugar de destaque

Responsável pela implantação de pacemakers e de cardiodesfibrilhadores, o setor de Eletrofisiologia e Pacing do Serviço de Cardiologia do CHVNG/E está constantemente em atividade. João Primo chegou ao Serviço há 25 anos e lembra que, na altura, pouco se sabia sobre esta subespecialidade. Contudo, desde cedo que o tratamento das arritmias o motivou, acabando por direcionar a sua atenção para esta área.



Quanto ao papel que desempenha no Serviço de Cardiologia, João Primo foca-se na necessidade de tratar o maior número possível de doentes, com ausência de complicações, sublinhando que “houve muitas coisas que foram adquiridas pela Cardiologia portuguesa através deste Serviço, nomeadamente técnicas pioneiras”, mas que lhe interessa sobretudo a continuidade da excelência e tratar os doentes da melhor forma possível.

Enfermagem: o elo de ligação imprescindível


Quando o trabalho desenvolvido na sala de operações termina, começa uma longa maratona que todos os doentes têm de enfrentar: a reabilitação e a reeducação relativamente aos hábitos que conduziram ao desfecho menos desejado. Nesse caminho, a enfermagem desempenha um papel de destaque.

A enfermeira chefe do Serviço de Cardiologia do CHVNG/E, Manuela Rios, explica que a Cardiologia tem, neste momento, quatro unidades: a UCIC, a UDIC (com setores próprios, Eletrofisiologia e Pacing, Angio-TAC e Hemodinâmica), a Unidade Intermédia e a Consulta Externa. "E a enfermeira chefe tem de dar conta do recado”, afirma, sorridente e reconhecendo que hoje tem funções predominantemente de gestão.

Entre os 56 enfermeiros que estão a seu cargo, Manuela Rios explica que há profissionais mais focados em determinadas áreas e que isso “implica maior especialização e maior produtividade”.



Uma das missões da enfermagem passa por capacitar o doente para regressar à vida ativa. Nesse aspeto, Manuela Rios acredita que o esforço de equipa que é feito neste hospital explica em grande parte o sucesso que tem sido conseguido ao longo dos anos.

“O médico trata a artéria doente e a enfermagem ajuda o doente a tentar perceber por que ocorreu aquele facto, se a sua ação teve influência na aquisição e progressão da doença”, explica a enfermeira. Manuela Rios acrescenta que o primeiro passo começa por capacitar o doente para "gerir a sua própria doença e fazer com que modifique o que pode ser modificado.

E sublinha: “trabalhamos todos em equipa e com o único intuito de servir o doente”.



A reportagem completa pode ser lida na primeira edição do Hospital Público.



Hospital Público é uma publicação da Just News, de periodicidade mensal, particularmente dirigida aos profissionais de saúde das unidades hospitalares do SNS, incluindo as de gestão privada.

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