Doença crónica: ESEL coordena projeto europeu de «apoio à mudança comportamental»

Treinar estudantes de Enfermagem, Farmácia e Fisiologia do Desporto é o objetivo do Train4Health, que envolve Portugal e mais quatro países, durante 3 anos. A primeira reunião que deu início formal ao projeto decorreu nos passados dias 4 e 5 de novembro, na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), a entidade coordenadora.



Mara Guerreiro é farmacêutica e investigadora na ESEL, dedicando-se há muitos anos à área da educação e capacitação na doença crónica. “De acordo com a literatura, os profissionais de saúde nem sempre têm as devidas competências para apoiarem os doentes nas mudanças de comportamentos, daí este projeto”, disse em entrevista à Just News.

Segundo a responsável, o Train4Health é uma oportunidade para alterar essa realidade. “Através do Erasmus+, conseguiu-se financiamento para este consórcio que envolve Portugal, Bélgica, Irlanda, Eslovénia e Holanda. Estamos a trabalhar para desenvolver e consensualizar um quadro de competências de apoio à mudança comportamental na doença crónica que ajude os profissionais de saúde”, explicou.


Mara Guerreiro

O consórcio que reuniu em Lisboa envolve várias instituições. De Portugal participam a ESEL, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e a Escola Superior de Desporto de Rio Maior – Instituto Politécnico de Santarém.

Dos restantes países, conta-se com a presença da European Students’Union da Bélgica; o Royal College of Surgeons da Irlanda; a Univerza V Mariboru da Eslovénia; e a Stichting Hoger Onderwijs da Holanda.

“Na prática, vamos também recolher as boas práticas que já estão implementadas em cada país para que possam ser replicadas para o benefício dos doentes que vivem com doença crónica e que não podem ter, obviamente, um profissional de saúde a acompanhá-los durante todo o tempo.”



Além das competências práticas, o consórcio quer também promover produtos que ajudem na mudança comportamental. “Hoje em dia já é habitual encontrarmos apps que permitem contar os passos, controlar a glicemia, entre outras. Contudo, estas não estão integradas, isto é, os profissionais de saúde não sabem muitas vezes que os seus doentes as utilizam”, explica Mara Guerreiro.

E continua: “É fundamental que a informação da app seja a mesma que a do profissional de saúde. Não basta ter tecnologia, é preciso que o enfermeiro, farmacêutico, fisiologista do exercício também saiba como apoiar na mudança comportamental. É um trabalho integrado, caso contrário não vai ter os mesmos benefícios.”


Mara Guerreiro com mais dois elementos da ESEL envolvidos no projeto: Cristina Baixinho e Pedro Almeida, respetivamente, enfermeira do Departamento de Enfermagem de Reabilitação e estudante de Enfermagem

Outra área em que o projeto se vai focar é no treino. “Não podemos ficar pela teoria, aliás é uma das lacunas com que nos deparamos no ensino. Os enfermeiros começam, de facto, a fazer estágios numa fase inicial do curso, mas os farmacêuticos, por exemplo, só estão em contacto com as pessoas no último ano. Vamos assim apostar num simulador, que é um humano virtual, que permite ao estudante interagir como se estivesse perante o doente.”

O consórcio abrange apenas futuros enfermeiros, farmacêuticos e fisiologistas do exercício por serem, disse, “aqueles que trabalham mais com as questões do autocuidado”. Mas, a médio e longo prazo, pretende-se que a mensagem também chegue a outras áreas. “Uma das medidas passa também pela criação de uma rede de educadores e investigadores.”



Em suma: “Com o Train4Health, o objetivo é desenvolver competências nos estudantes de saúde, na Europa, no que que diz respeito ao apoio ao autocuidado das pessoas com doenças crónicas, através da educação e da utilização de produtos tecnológicos inovadores e de alta qualidade, aumentando também a interdisciplinaridade entre profissionais de saúde."


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