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Encontro de Autoimunidade do Algarve atrai «médicos de excelência de outros centros europeus»

É sob o lema "Construir um futuro melhor" que se realiza, este ano, o 6.º Encontro de Autoimunidade do Algarve. Carlos Carneiro, médico especialista em Medicina Interna e coordenador do Departamento de Doenças Autoimunes do Grupo HPA-Saude, foi o homem que colocou de pé este projeto, que é hoje uma referência nacional.

Em declarações à Just News, o médico esclarece que desde a primeira edição, em 2016, "foi nosso objetivo reunir consensos de forma multidisciplinar, convidando vários colegas provenientes de Centros de Excelência de Norte a Sul do País, das mais variadas especialidades: ortopedia, reumatologia, neurocirurgia, fisiatria, medicina geral e familiar, entre outras".

A justificação para essa visão inclusiva é facilmente explicada por Carlos Carneiro: "Acredito que o doente deve ser o gestor da sua doença, pelo que se deverá munir de profissionais atualizados, disponíveis e que trabalhem em equipa. Para que isso se concretize, temos que criar laços e sair das nossas ´conchas` e crescer. E qual a melhor forma de isso acontecer? É sermos humildes e estarmos dispostos a aprender uns com os outros."

Questionado sobre o sucesso deste Encontro no panorama nacional, o médico internista reconhece que, ao longo dos últimos anos, "temos de facto assistido a um crescimento sustentado desta reunião que, actualmente, não só tem abrangência nacional, mas médicos de excelência de outros centros europeus".


Carlos Carneiro

"Não há um tratamento igual para todos"

O Encontro de Autoimunidade do Algarve caracteriza-se, nomeadamente, pela sua abrangência e complementariedade de temas. Carlos Carneiro confirma isso mesmo, recordando que, "ao longo das várias edições temos tentado trazer vários temas ´fora da caixa`, não porque não estejam ligados às doenças autoimunes, mas porque têm que servir de reflexão e criar ferramentas para os médicos que sigam este tipo de doentes".

E acrescenta: "O diagnóstico de uma doença autoimune é essencialmente clínico, pelo que é imperativo que seja o mais precoce possível de forma a iniciar o tratamento  adequado de forma personalizada. O ´treat to Target` tem que ter em consideração o doente, as suas necessidades e expectativas, não existindo ´receitas mágicas` nem um tratamento igual para todos."

Assim, a abordagem, que tem necessariamente de ser multidisciplinar, sublinha Carlos Carneiro, "foi pensada de forma a poder ajudar os doentes com patologia autoimune, através de ferramentas para o ´self Care` da sua doença, complementando a componente médica com a nutrição, o exercício físico e a neuropsicologia. Nesse sentido, queremos que o doente tenha uma abordagem holística e ao mesmo tempo complementar."

E, de facto, no programa deste ano, há, por exemplo, uma abordagem à alimentação do doente autoimune. Um tema que considera que tem de ser tratado com a devida profundidade, conforme refere: "Reduzir tudo isto à ´dieta mediterrânica` é não entender verdadeiramente quais são os verdadeiros triggers da doença autoimune, não perceber o papel do microbioma intestinal e ficar ´refém` das modas das dietas".


O programa provisório pode ser consultado aqui.


Distúrbio da função sexual: "Não podemos negligenciar esta área"

Outro dos temas que estará em debate é o impacto da doença autoimune na sexualidade, que deve merecer toda a atenção dos profissionais, refere Carlos Carneiro, desde logo porque um doente portador de uma doença autoimune "é um doente que, na maior parte das vezes, teve um diagnóstico tardio e sofreu vários anos em silêncio", com todas as consequências que daí advêm:

"O impacto da doença autoimune é, por si só, uma condição limitadora na realização das tarefas de vida diária, mas pode ser devastadora nas relações, tanto na vida pessoal como na vida profissional. Um doente por exemplo com psoriase pode nao ter deformações articulares mas tem um enorme impacto na sua imagem que pode contribuir para o isolamento e sensação de vergonha perante o companheiro(a)."

E não só. O internista lembra também que as doenças autoimunes que provocam abortos de repetição "podem contribuir com uma sensação de culpa perante o companheiro ao nao estar a altura de satisfazer os seus desejos e expectativas". Ou seja, "são muitas as causas de distúrbio da função sexual incluindo factores relacionados com a doença e a terapêutica. Os distúrbios físicos e psíquicos com o companheiro resultantes do stress e ansiedade contribuem para uma vida sexual menos ativa."

Desta forma, "a dor crónica, a fadiga, baixa auto-estima e depressão podem diminuir o desejo sexual dos doentes e, consequentemente, reduzir a frequência e o prazer da relação sexual".

O que devem os profissionais fazer? "Temos que trabalhar junto do doente, da família, dando ferramentas ao médico, com a entreajuda de outros profissionais de saúde, tais como os psicólogos, em criar mecanismos de ´self care`". E sublinha: "Negligenciar esta área impede o aconselhamento e tratamentos adequados."



"Recebo muito mais do que aquilo que dou"

Para Carlos Carneiro, o sucesso deste evento "deve-se sobretudo aos doentes que nos procuram, da confiança ao nos depositarem as suas vidas, o que nos obriga a estar atualizados e fomentar estas partilhas, pois sem conhecimento e experiência nada se constrói. Costumo dizer que recebo muito mais do que aquilo que dou".

No entanto, e porque não é possível dissociar o crescimento da reunião ao trabalho desenvolvido no âmbito do Departamento de Doenças Autoimunes do Grupo HPA-Saude, o médico reconhece a importância "de um trabalho de equipa e da aposta que a Administração fez, em criar condições para que pudéssemos desenvolver a nossa atividade, sempre respondendo afirmativamente a todos os desafios que fomos colocando ao longo dos anos".

Atualmente, a equipa integra três médicos e uma enfermeira que trabalha no Hospital de Dia de Doenças Autoimunes "e que para além dos ensinos e administração de medicamentos acompanha e monitoria os doentes".

Quanto ao futuro? "Temos vários projetos que gostaríamos de realizar, mas o nosso foco são os nossos doentes." E há uma certeza:

"Infelizmente, o Algarve na área da Saúde nem sempre é noticia pelos melhores motivos. Ambicionamos para que esta área, tal como outras, possa ser uma âncora para atrair profissionais de qualidade e, assim, contribuir para que os doentes beneficiem de terapêuticas inovadoras, de um diagnóstico precoce e terapêutica adequada de forma multidisciplinar, de acordo com a sua patologia."

Formar profissionais e apoiar doentes "a avaliar a doença como um todo"


O Encontro de Autoimunidade do Algarve é, como se percebe, uma reunião para profissionais de saúde. No entanto, o último dia do evento é dedicado aos doentes, uma preocupação que não surge de forma isolada.



Na verdade, o Encontro é organizado pela Associacão Médica do Algarve, associação presidida por Carlos Carneiro, que se divide em duas vertentes: a componente formativa, através da realização dos Encontros de Autoimunidade, mas não só. Com o propósito de promover uma permanente atualização dos conhecimentos dos profissionais, são também  realizados Cursos de Ecografia.

Por outro lado, a "componente interventora junto da comunidade" assume uma grande relevância junto dos objetivos da Associação. Assim, Carlos Carneiro explica que, através da Academia AICARE, dedicada a doentes com patologias autoimunes, "realizam-se sessões trimestrais, sempre de uma forma multidisciplinar".

Ou seja, os doentes são convidados a participar nestas iniciativas, que decorrem num pavilhão gimnodesportivo ou biblioteca. "Este ano, iremos realizar uma sessão em cada concelho algarvio", adianta o médico. Os doentes têm, assim, acesso a workshops dados por "profissionais com competência nas diversas áreas (nutrição, exercício fisico, neuropsicologia, enfermagem e a componente médica), de forma a avaliar a doença como um todo nas suas várias componentes".



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