Endarterectomia: uma «técnica cirúrgica vascular basilar» criada há 75 anos por João Cid dos Santos

Numa Sessão Evocativa dos 75 anos da Endarterectomia, a Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV) e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) assinalaram o nascimento desta técnica cirúrgica, prestando simultaneamente homenagem ao seu criador, João Cid dos Santos. Esta sessão comemorativa aconteceu no decorrer da Reunião do Núcleo de Biologia Vascular da SPACV, na Aula Magna da FMUL, no passado mês de novembro.

Entre os vários painéis que compuseram a Sessão Evocativa dos 75 anos da Endarterectomia, houve espaço para vários convidados refletirem sobre esta comemoração e o tributo a João Cid dos Santos.

Luís Mendes Pedro, presidente da SPACV, professor da FMUL e diretor do Serviço de Cirurgia Vascular do CHULN, foi o primeiro a discursar, reconhecendo desde logo que “qualquer projeto de progresso deve incluir o perfeito conhecimento dos alicerces que suportam a trajetória passada, pois só assim será construído um futuro sustentado e bem adaptado às circunstâncias e às vicissitudes”.


Luís Mendes Pedro

Neste sentido, homenageou João Cid dos Santos, por ter criado, em 1946, “uma técnica cirúrgica que teve tamanho impacto na cirurgia arterial, permanecendo como uma das técnicas vasculares basilares que se realizam praticamente de forma diária nos serviços de Cirurgia Vascular”.

Dirigindo-se à audiência e, mais concretamente, às novas gerações de cirurgiões vasculares, pediu que “não deixassem de se inquietar com o desconhecido e incontrolado, pois só assim, com essa inspiração, será possível construir o futuro”.


Fausto Pinto

Também Fausto Pinto, diretor da FMUL, proferiu algumas palavras sobre João Cid dos Santos. Para si, esta foi “uma personalidade que marcou de forma indelével a história da Medicina portuguesa e, em particular, da Cirurgia Vascular”.

O seu “espírito engenhoso e inovador, a par da sua inteligência”, levaram-no “não só a deixar o seu cunho na descoberta da endarterectomia, como a introduzir a flebografia e a impulsionar o diagnóstico e a avaliação da patologia venosa”.

Fausto Pinto considera mesmo que João Cid dos Santos “marcou a escola angiográfica portuguesa”, e que “o espírito e a capacidade de trabalho que tinha devem ser honrados e continuados por todos os alunos, por constituírem o verdadeiro alimento e alicerce de uma academia”.

Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração do CHULN, também usou da palavra para reconhecer o mérito do criador da endarterectomia e do Serviço de Cirurgia Vascular do centro hospitalar que preside.


Daniel Ferro

Para si, esse Serviço constitui “um dos melhores exemplos do SNS, pela disponibilidade, partilha e cooperação que tem vindo a demonstrar”. Principalmente neste período pandémico, salienta o facto de este Serviço ter sido, “possivelmente, aquele que mostrou ter, desde a primeira hora, o espírito mais colaborante e resiliente, em prol do plano de contingência hospitalar”.

Na sua ótica, estas características espelham “o exigente trabalho que estes profissionais viveram com a integração do Departamento de Coração e Vasos, o que impulsionou a partilha de espaços, de equipas e de conhecimentos”. Por outro lado, reconheceu o contributo da atual e das anteriores lideranças para o posicionamento do Serviço.

José Fernandes e Fernandes, antigo diretor e professor jubilado da FMUL, proferiu uma conferência em que caracterizou João Cid dos Santos como “um dos espíritos mais brilhantes da inteligência portuguesa, que influenciou esta casa e o todo o pensamento universitário”.


José Fernandes e Fernandes

Aquele que foi também sócio emérito e antigo presidente da SPACV, e diretor do Serviço de Cirurgia Vascular do CHULN, distinguiu ainda Cid dos Santos como “um médico, cientista e visionário, cuja obra é um verdadeiro testemunho de criatividade, inovação e esperança”.

Neste painel, estiveram ainda presentes José Melo Cristino, presidente do Conselho Científico da FMUL, Maria José Diógenes, vice-presidente do Conselho Pedagógico da FMUL, Rui Almeida, presidente do Colégio da Especialidade de Angiologia e Cirurgia Vascular da OM, e Armando Mansilha, secretário-geral do Board de Cirurgia Vascular da União Europeia de Médicos Especialistas.

“As bases da Cirurgia Vascular como alicerce de metodologias futuras”

Enquanto coordenador do Núcleo de Biologia Vascular da SPACV, José Oliveira-Pinto, em declarações à Just News, não pôde deixar de partilhar o orgulho do Núcleo ao ter associado o seu principal evento com a sessão evocativa dos 75 anos da endarterectomia. “Acreditamos que esta comunhão permitiu à audiência constatar a importância das bases da Cirurgia Vascular como alicerce fundamental no desenvolvimento de metodologias futuras”, destaca.


Luís Mendes Pedro e José Oliveira-Pinto

Simultaneamente, “possibilitou revisitar as bases estruturais de procedimentos vasculares, e alicerçar todo o conhecimento relativo ao surgimento de técnicas inovadoras, assim de terapias medicamentosas promissoras na modulação da biologia vascular apresentadas durante a reunião”.

O cirurgião vascular, que desenvolve atividade no CHUSJ, fala ainda na “homenagem à criação de uma técnica cirúrgica revolucionária e disruptiva, que permanece como gold standard e serviu de fundação para muitas outras técnicas que dela derivaram, por um painel de excelência”.


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