Estudo clínico sobre miomas uterinos apresentado pela primeira vez em Portugal

Está a decorrer, nos dias 14 e 15 de março, em Tróia, a 179ª Reunião da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG), um encontro que junta vários especialistas em ginecologia e que conta com a apresentação oficial do estudo clínico Pearl III que avalia o tratamento com acetato de ulipristal como no tratamento dos miomas uterinos.

O encontro, realizado pela Secção Portuguesa de Endoscopia Ginecológica (SPEG), é marcado pelo debate das cirurgias minimamente invasivas, como a miectomia e laparoscopia, utilizadas na remoção de tumores no aparelho reprodutor feminino. Com o debate deste tema é apresentado pela primeira vez em Portugal, o tratamento inovador com acetato de ulipristal, que é o primeiro de uma nova classe de fármacos que proporciona eficácia prolongada e contínua no tratamento dos sintomas causados por miomas uterinos, como a diminuição da hemorragia uterina, correcção da anemia e redução do volume do tumor.

O ginecologista Daniel Pereira da Silva avança que “para além dos miomas poderem causar micção frequente, hemorragias e desconforto pélvico e incontinência, também podem causar infertilidade, pelo que, com este medicamento inovador, as mulheres têm a possibilidade de voltar a recuperar a sua fertilidade”.

O estudo avalia a eficácia e segurança de ciclos repetidos intermitentes de 3 meses de tratamento de acetato de ulipristal em indivíduos com miomas uterinos e sangramento uterino intenso. Os resultados do estudo mostraram que um ciclo repetido de acetato de ulipristal proporciona bons resultados nas mulheres (as taxas de amenorreia foram 79,5% e 88,5% para as mulheres após o primeiro e segundo ciclos de tratamento, respectivamente.

Segundo o estudo, a variação média na redução do volume dos três maiores miomas em estudo foi de menos 49,9% e 63,2%, após o primeiro e segundo ciclos de tratamento, respectivamente.

O tratamento melhora a qualidade de vida e tem menos efeitos secundários de castração em comparação com a terapêutica tradicional, que levava a sintomas de menopausa em mulheres em idade fértil, o que se traduz em notícias muito positivas para as mulheres portuguesas”, explica Daniel Pereira da Silva.

Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns do tracto genital feminino afectando 30 a 60% da população feminina em geral e 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva e estima-se que afectem cerca de dois milhões de mulheres em Portugal.

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