Estudo sobre envelhecimento em Coimbra é divulgado amanhã em seminário internacional

Um estudo desenvolvido, nos últimos quatro anos, por investigadores da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) revela que 63,8% da população idosa, com idade igual ou superior a 75 anos, utente dos centros de saúde deste concelho "necessita de respostas de intervenção direcionadas" para as áreas onde revela incapacidades funcionais: saúde física, atividades de vida diária, saúde mental, recursos económicos e recursos sociais.

Destas cinco áreas, é na saúde física que maior número de indivíduos (41,3%) demonstra mais fragilidade, um resultado que pode ser explicado atendendo ao elevado número de patologias associado a esta população, ou à presença de duas ou mais doenças em cada paciente.

Paralelamente, registe-se, 36,2% dos idosos estudados não apresenta qualquer incapacidade funcional nas áreas consideradas.

Este trabalho, inserido no projeto de investigação “Os muito idosos: estudo do envelhecimento em Coimbra”, inscrito na Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E) e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, incidiu sobre uma amostra de 1153 idosos, de uma população total de 16474 indivíduos utentes dos seis centros de saúde de Coimbra (Celas, Fernão de Magalhães, São Martinho do Bispo, Norton de Matos, Santa Clara e Eiras), que pertencem ao Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego.

No âmbito deste estudo, que utilizou o Questionário de Avaliação Funcional Multidimensional para Idosos (QAFMI), foram, ainda, recolhidas informações sobre a utilização e a necessidade sentida de um conjunto de 23 serviços distribuídos por seis grupos: serviços gerais de apoio; serviços sociais e recreativos; serviços de saúde; serviços de apoio económico; serviços de apoio, avaliação e coordenação; e serviços não classificados.

Dos serviços gerais de apoio, o “serviço de monitorização” (que se refere à existência de alguém que nos últimos seis meses, pelo menos cinco vezes por semana, por telefone ou pessoalmente, procurou saber como se encontrava o idoso, para se certificar de que tudo estava bem), sendo o mais utilizado (por 87,5% da amostra), é aquele de que os idosos (78,8%) dizem sentir maior necessidade.

Metade acusa necessidades económicas

Mais de metade dos idosos estudados (53,5%) sente necessidades ao nível do “serviço de avaliação sistemática multidimensional”, que implica a avaliação (por enfermeiro, médico e assistente social) do estado geral da pessoa nas componentes da saúde física e mental e da respetiva situação social e económica.

Quanto aos serviços de apoio económico, constatou-se que a totalidade dos inquiridos dispõe de alguma fonte de rendimento (pensões e reformas de invalidez), mas que para 49,5% não é suficiente (dificuldades económicas).

No que toca à utilização de serviços de saúde, as consultas médicas (utilizadas por 89,5%) são, ainda, referidas como insuficientes por 16,6% dos utilizadores.

Ficamos a saber que 76,1% utiliza dispositivos de apoio e próteses, que 41,1% utiliza psicotrópicos, que 26,7% utiliza os cuidados de enfermagem (14% ainda refere a sua necessidade), que 13,4% recorre à fisioterapia (25,1% refere a necessidade) e 14,7% aos serviços de saúde mental.

«Os resultados, quanto às necessidades sentidas de serviços de saúde, indicam-nos que as respostas dos serviços de saúde e de apoio social às novas realidades sociais e familiares que acompanham o envelhecimento individual e demográfico necessitam de reformas, promovendo e facilitando o acesso e equidade aos cuidados de saúde para este grupo populacional», constatam os investigadores deste projeto, professor Rogério Rodrigues (investigador responsável), professor Luís Loureiro, enfermeira Sílvia Silva, Cristiana Silva e Sandrina Crespo (bolseiras de investigação).

Os investigadores da ESEnfC/UICISA sublinham que «os serviços de saúde na comunidade para os mais idosos permitem reduzir os internamentos e os custos associados, melhorando a qualidade de vida, quer deste grupo fragilizado, quer das suas famílias».

Para a equipa liderada por Rogério Rodrigues, «é essencial uma intervenção integrada dos setores de saúde e social, para responder às necessidades reais, e sentidas, deste grupo populacional», devendo ser promovidas «medidas de envelhecimento ativo e de saúde do idoso».

Os resultados deste projeto de investigação são apresentados amanhã no seminário internacional “Os muito idosos: estudo do envelhecimento em Coimbra – perfis funcionais e intervenção”. O encontro começa às 09h00, no Polo A da instituição, junto ao IPO de Coimbra).

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