Existe «um grande défice» de centros de referência de cardiopatias hereditárias

“Existe um grande défice de consultas dedicadas a miocardiopatias e/ou centros de referência de cardiopatias hereditárias, com verdadeiras equipas multidisciplinares.” O alerta foi dado por Luís Rocha Lopes, coordenador do Grupo de Estudo de Doenças do Miocárdio e Pericárdio da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (GEDMP-SPC), na sua 5.ª Reunião, que decorreu na Figueira da Foz.


Luís Rocha Lopes referiu que o défice poderá estar “na base de um muito provável subdiagnóstico de formas mais raras e subtipos de miocardiopatias, alguns deles com tratamento específico disponível e/ou orientação que deve ser distinta”. Para o cardiologista, “será útil reforçar a grande necessidade de programas organizados de rastreio familiar em casos de miocardiopatia genética”.

Contudo, olhando para a realidade portuguesa face às doenças do miocárdio e pericárdio, “os resultados já apurados, a partir dos registos de miocardiopatia hipertrófica, miocardites e miocardiopatia de takotsubo, mostram que os padrões de diagnóstico e tratamento nacionais se aproximam das séries internacionais já publicadas”.



Quanto ao evento, o balanço é positivo. “Foi uma Reunião muito participada, com cerca de 150 inscritos, uma excelente oportunidade de formação para internos, cardiologistas e médicos de outras especialidades”. Luís Rocha Lopes destacou ainda “o elevado número de casos clínicos submetidos por centros do Norte a Sul do país, que foram apresentados em sessões informativas muito participadas e que geraram muita discussão”.

Em debate estiveram os primeiros resultados e direções futuras dos registos nacionais de miocardiopatias, os avanços nas que são ou não genéticas, a anatomopatologia das mesmas e as miocardiopatias raras.


Comissão Organizadora: Luís Rocha Lopes, Olga Azevedo, Nuno Marques e Emanuel Correia.







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