Faltam três mil enfermeiros de Reabilitação em Portugal

A população portuguesa conta, neste momento, com os cuidados de aproximadamente três mil enfermeiros de Reabilitação. Segundo Belmiro Rocha, presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Reabilitação da Ordem dos Enfermeiros, tal é “substancialmente pouco” para as suas atuais necessidades. "Idealmente, deveríamos ter, pelo menos, o dobro de especialistas a trabalhar nesta área, ou seja, cerca de seis mil", acrescenta.



“O maior desafio que nos é colocado é, precisamente, responder às necessidades da população”, afirmou em declarações à Just News, no decorrer do Encontro de Enfermagem de Reabilitação, que se realizou em Lisboa, observando que o aumento da longevidade e, consequentemente, o aparecimento de maiores comorbilidades, vai levando à crescente carência destes profissionais.

E desenvolve: “Anualmente, formam-se cerca de 250 enfermeiros de Reabilitação, que paulatinamente vamos tentando alocar o melhor possível. Não chega, mas estamos a tentar resolver isso.” Tal como explica, os enfermeiros de Reabilitação estão presentes não só a nível dos cuidados terciários, mas também dos secundários e até da própria prevenção.

Quando questionado acerca das possíveis razões que levam a que o número de enfermeiros que apostam numa especialização seja diminuto, Belmiro Rocha referiu ter a ver com o aspeto formativo e com o facto de não haver uma categoria de “enfermeiro especialista”.

“Não havendo esta categoria, como havia na antiga carreira, não há uma transição, logo não há um aumento remuneratório. Os enfermeiros têm de suportar os custos da sua formação e depois não veem uma recompensa desse esforço”, explicou.

Para contrariar esta tendência, o presidente da Mesa do Colégio da Especialidade da OE mencionou ter a preocupação de continuar a incutir nos colegas que “existe esperança” de haver uma alteração na carreira e, com isso, uma valorização do conteúdo de especialista. Além disso, é importante sensibilizar estes profissionais para o facto de que todos nós, um dia, vamos envelhecer e necessitar de cuidados de Enfermagem de Reabilitação.

“Se eles não existirem, corremos o risco de não ter quem cuide de nós deste ponto de vista e que possa ser uma ajuda e um complemento às nossas atividades de vida diárias”, concluiu.

O Encontro de Enfermagem de Reabilitação foi organizado pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, presidido por Alexandre Tomás, em parceria com a Mesa do Colégio da Especialidade e Enfermagem de Reabilitação da OE.



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