Ginecologia: Portugal com «excelente trabalho na área da colposcopia»

Lisboa recebe, nos dias 8 e 9 de março, a 1.ª Reunião Franco-Ibérica de Colposcopia. De acordo com Amélia Pedro, presidente da Secção Portuguesa de Colposcopia e Patologia do Tracto Genital Inferior (SPCPTGI) da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, o evento representa “um passo na internacionalização da colposcopia portuguesa, que tem bastante qualidade”.

Trata-se de uma organização conjunta da SPCPTGI, da Asociación Española de Patología Cervical y Colposcopia e da Société Française de Colposcopie et de Pathologie Cervico-Vaginale.

Em declarações à Just News, Amélia Pedro lembra que a colposcopia é uma técnica que em Portugal é executada apenas por ginecologistas, em hospitais ou em clínicas. “Deve ser complementar no sentido de avaliar as alterações levantadas pelo rastreio do cancro do colo do útero, que tem sido feito com base na citologia e, atualmente, no teste de HPV”, acrescenta.


Amélia Pedro

A especialista, que está a montar uma unidade de colposcopia que se localizará no futuro Hospital CUF Sintra e que anteriormente foi responsável pela Unidade de Colposcopia do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca,  menciona que “o exame não é fácil, é subjetivo e exige muito treino, não só para interpretar imagens, mas também na abordagem do tratamento”.

A reunião surgiu na sequência da candidatura que a SPCPTGI efetuou em 2017 para organizar em Portugal o Congresso Europeu de Colposcopia, que terá lugar em 2022. O país vencedor acabou por ser a Finlândia, donde é natural o presidente-eleito da EFC (European Federation for Colposcopy), mas com pouca diferença de votos relativamente a Portugal.

“Ficaram com tanta vontade de vir a Portugal que nos convidaram a organizar uma reunião, inicialmente com a Sociedade Europeia de Colposcopia e depois pensou-se em juntar os espanhóis e franceses e torna-la franco ibérica”, conta.



A presidente da Secção explica que a escolha de Espanha e França se prende com a relação histórica estreita que existe com os países:

“Há uma vertente europeia de fazer colposcopia, que teve início na Alemanha, que é próxima daquela que é praticada em Portugal. Há depois outros países com uma vertente mais anglo-saxónica, em que a colposcopia é um exame de difícil acesso.”

Reconhecimento da “grande potencialidade” de Portugal na área da colposcopia

Por seu lado, Amália Pacheco, secretária da SPCPTGI, salienta que a EFC "reconhece no nosso país o excelente trabalho na área da colposcopia".

A nível da formação, Portugal tem vindo a desenvolver cursos básicos de colposcopia organizados com uma periodicidade regular, certificados atualmente pela EFC, e cursos teóricos práticos. Nas suas palavras, estas ações “são uma mais-valia na formação dos jovens especialistas e internos”.


Amália Pacheco

A secretária da Secção, que é responsável pela Unidade de Patologia do Colo do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), recorda que Portugal tem rastreio de cancro do colo do útero organizado existindo unidades em todo o país ligadas aos programas de rastreio do cancro colo útero, que interligam com as ARS.

No nosso país, ainda não existem programas de acreditação em Colposcopia. Em Espanha, a acreditação nesta área é feita pela Asociación Española de Patologia Cervical y Colposcopia, e em França existe a carta do colposcopista.


Amália Pacheco e Amélia Pedro

Segundo Amélia Pedro, em Portugal, os internos que terminam a sua formação são capazes de fazer uma colposcopia básica, adquirindo capacidade para decidir se o colo é normal ou anormal. No entanto, esclarece, “a um colposcopista é pedido que seja mais específico e que consiga predizer lesão de alto grau em mais de 70% dos casos”.

“Um dos objetivos da SPCPTGI é promover a Acreditação em Colposcopia em Portugal e possibilitar que todas as mulheres que precisem de fazer colposcopia possam escolher um médico com essa qualificação”, menciona.



A 1.ª Reunião Franco-Ibérica de Colposcopia contará não só com especialistas de Portugal, Espanha e França, mas também da Noruega e de Inglaterra, esperando-se cerca de uma centena de participantes.

SPCPTGI: Algarve, Lisboa e Coimbra


Rita Sousa

Além de Amália Pacheco e Amélia Pedro, a Secção Portuguesa de Colposcopia e Patologia do Tracto Genital Inferior (SPCPTGI) integra Rita Sousa, assistente graduada de Ginecologia do Serviço de Ginecologia do IPO de Coimbra.

Esta Secção da Sociedade Portuguesa de Ginecologia acaba, assim, por ter profissionais de três regiões do país, com as vantagens associadas de mais facilmente serem discutidas e acompanhadas estas e outras realidades regionais e respetivas necessidades de intervenção.


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