Ginecologia/Obstetrícia do Hospital de Guimarães: «somos, em várias áreas, referência nacional»

"Temos de ir ao encontro das características da população que servimos, adaptando-nos às mudanças que ocorrem ao longo dos anos", afirma José Manuel Furtado, diretor do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital da Senhora da Oliveira - Guimarães. Na sua opinião, "só assim se consegue racionalizar e prestar bons cuidados de saúde”. Como gosta de referir, é “colocar o Serviço à disposição da população”.

Em declarações à Just News, no âmbito de uma reportagem que será publicada na próxima Women`s Medicine, assegura que este enfoque no utente é um dos segredos para se conseguir ter o Serviço como dos que apresenta os melhores índices de qualidade do País.



“Ao todo, somos 24 especialistas, 8 internos divididos pelas áreas de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução, com o seu Centro de Procriação Medicamente Assistida (PMA). Somos, inclusive, um dos 4 centros públicos autorizados e acreditados no Norte do País ”, diz.

Este enfoque na qualidade implica muito trabalho e dedicação. “Somos um hospital acreditado desde 2008, fomos das primeiras unidades a serem acreditadas pela Joint Commission International, que se foca bastante na segurança do doente e no cumprimento de protocolos muito específicos.”

Um processo contínuo e trabalhoso, tendo em conta que o hospital já foi reacreditado duas vezes, mas que é gratificante, como explica: “Inicialmente, não foi fácil, mas todos já percebemos que a acreditação é uma grande ajuda para a melhoria contínua em cuidados de saúde e é muito bom saber que, não sendo um hospital central, somos, em várias áreas, referência nacional".




Conhecer as necessidades dos utentes

A adaptação à realidade das pessoas que chegam ao hospital faz-se de forma contínua. José Manuel Furtado recorda que, “há uns anos, tínhamos uma das taxas mais elevadas de infeção por streptococus B em Portugal, com grande repercussão nos internamentos em Neonatologia".


Contudo, o médico sublinha que, desenvolvendo esforços em colaboração com o Serviço de Pediatria e com os cuidados de saúde primários, "fomos capazes de, em pouco tempo, inverter a realidade, procedendo ao rastreio das grávidas às 35 semanas, conforme a orientação da Direção-Geral da Saúde, quer no hospital, quer no centro de saúde, de uma forma tendencialmente global e, para as poucas mulheres que não o realizaram, optámos pela profilaxia no momento do parto.”



As características da população são assim muito importantes para se saber em que áreas se deve apostar mais. E exemplifica:

“Nesta região, há pouquíssimos casos de gravidez na adolescência (7 em 2016), o número de interrupções voluntárias da gravidez (IVG) cinge-se a cerca de 250 por ano, por outro lado, os problemas da obesidade e a diabetes na grávida têm aumentado, logo o sentido é distribuir os meios adaptando-os às necessidades.”


Na área do Planeamento Familiar, a resposta cada vez maior por parte dos cuidados de saúde primários tem contribuído para uma menor aposta hospitalar nesta valência. “É sempre importante, tem de existir, como é óbvio, mas não tem um enfoque tão grande como há uns anos, quando não se tinha uma resposta tão eficaz nos centros de saúde”, nota.

Interesses dos utentes "sobrepõem-se sempre aos dos profissionais"

Para Delfim Rodrigues, presidente do Conselho de Administração do Hospital da Senhora da Oliveira - Guimarães, o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia é o exemplo da cultura organizacional daquela unidade hospitalar. “Servir é o nosso lema e não há que ter medo deste conceito, porque o que interessa é o bem-estar do doente,” afirma.

E continua: “Quando há dúvidas, reunimo-nos à volta da mesa e a decisão é tomada tendo em conta o melhor para os utentes. Os seus interesses sobrepõem-se sempre aos dos profissionais.”


Delfim Rodrigues e José Manuel Furtado.

Outro ponto que gosta de destacar é a qualidade: “Este hospital, além da acreditação pela Joint Commission International, é reconhecido pelos índices de qualidade. Exemplo disso é o resultado do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde - SINAS, da Entidade Reguladora da Saúde, que determinou que o rating de qualidade deste Serviço, em 2016, está acima da média do País.”

Centro de PMA "serve 1 milhão de habitantes"

Outro orgulho de José Manuel Furtado prende-se com o Centro de PMA, que “fez 10 anos, o ano passado, e foi inesquecível a  marcha que realizámos pela cidade para assinalar a data e que contou com a presença dos pais e das crianças.”


E acrescenta: “O nosso Serviço serve, em diversas áreas, uma população de cerca de 500 mil habitantes, mas para a PMA, face à sua maior área de referência, serve 1 milhão de habitantes.”

Sofia Dantas Pinto, responsável pelo Centro de PMA, conta à Just News como é ser médica de casais que chegam à procura de uma resposta para um problema de infertilidade. Para a médica, de 51 anos, esta é uma área apaixonante, que exige muito do ponto de vista pessoal: “Todos nos envolvemos e criamos laços de amizade, vivemos os sucessos e os insucessos.”

Quanto a quem procura a sua ajuda, Sofia Dantas Pinto diz que nota mudanças nos últimos anos. “Nas primeiras consultas já vem o casal e não apenas a mulher, há maior consciência de que é necessário estudar os dois, para se perceber qual a causa de não conseguirem ter filhos.”



A reportagem completa pode ser lida na atual edição de Women`s Medicine, onde são também entrevistados outros profissionais do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital da Senhora da Oliveira - Guimarães, responsáveis por várias áreas:

- Pedro Vieira de Castro (Ginecologia Oncológica);
- José Vivas (Patologia do Pavimento Pélvico);
- Adosinda Rosmaninho (Diagnóstico Pré-Natal);
- Rui Miguelote (ligação à Escola Superior de Saúde do Alto Ave - Universidade do Minho).

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