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Recém-inaugurada Unidade de Hemodiálise de Agudos no CHTS evita transferências de doentes

Até há bem pouco tempo, o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa era o único hospital do país com uma área de influência de mais de 400 mil habitantes sem um Serviço de Nefrologia e uma Unidade de Hemodiálise de Agudos. A disponibilização desta terapêutica, a partir de novembro de 2021, veio reforçar a humanização dos cuidados e a proximidade aos doentes que, até então, eram transferidos para os hospitais do Porto.



“Desde 2014 que tem existido um incremento progressivo de recursos físicos e humanos”, começa por observar Carlos Botelho, diretor do Serviço que viu nascer e crescer, pois, há 8 anos, foi o primeiro nefrologista a integrar este centro hospitalar. Em 2017 chegou o primeiro colega e a cada ano mais um se juntou à equipa. Atualmente, são seis os especialistas.

Em maio de 2021, de Unidade passou a Serviço e, do ponto de vista assistencial, a 12 de novembro, foi inaugurada a Unidade de Hemodiálise de Agudos na área de ambulatório, no piso 3, considerada “uma necessidade premente”. Tendo o CHTS uma área de influência direta de 525 mil habitantes, a segunda maior do país, que apoia quatro distritos e 12 concelhos, até então, os doentes tinham que ser transferidos para os hospitais da rede de referenciação hospitalar.


Carlos Botelho

“Praticamente de forma diária, quem necessitasse de diálise emergente era transferido para o São João ou para o Santo António”, recorda Carlos Botelho.


Não só aqueles que recorriam à Urgência mas também os que se encontravam internados com insuficiência renal com necessidade de diálise viam-se obrigados a percorrer mais de 30 quilómetros, com todas as dificuldades inerentes.

“Estamos a falar de um processo de transferência de doentes com várias dificuldades, o que se traduzia em várias horas, dado o conjunto de procedimentos logísticos, administrativos
e operacionais que era preciso ultrapassar, além da maior dificuldade de receberem visitas por parte dos familiares”, observa o diretor do Serviço.

Adicionalmente, “a dinâmica é muito diferente se o doente tiver alta connosco e, nesse dia, levar já agendada a próxima consulta aqui no CHTS, ao passo que, anteriormente, muitos não compareciam nas consultas nos hospitais do Porto pela dificuldade ao nível do transporte”.



Com a identificação da necessidade e o acolhimento da Direção Clínica e do Conselho de Administração, foi possível avançar com a criação da Unidade, colmatando a lacuna que fazia deste CH o “único com uma área de influência superior a 250 mil habitantes que não oferecia Serviço de Nefrologia nem Unidade de Hemodiálise de Agudos”.

Para Carlos Botelho, a disponibilização desta última valência traduziu-se, efetivamente, num “upgrade muito grande no que diz respeito à atividade assistencial do Serviço e do próprio CH, à humanização dos cuidados e à proximidade aos doentes”.

Impulsionar as competências da equipa, atribuindo-lhe responsabilidades

Além de assegurar, agora, a execução de técnicas dialíticas, o Serviço de Nefrologia do CHTS tem vindo a realizar mais de 5000 consultas por ano nas diversas áreas temáticas.

Desde 2020, oferece ainda uma área de internamento com capacidade para quatro a seis camas, pertencentes ao Departamento Médico, no piso 6. Anualmente, são realizadas cerca de três dezenas de biópsias renais e dá-se resposta a 2500 pedidos de apoio de consultadoria interna.

Tendo como tradição a atribuição de responsabilidades aos vários médicos do Serviço quanto às diferentes áreas funcionais, para Carlos Botelho, esta é uma ação fundamental, no seio de “uma equipa que ronda as faixas etárias dos 30 e 40 anos e que consegue ver impulsionadas as suas competências”.



Futuro: “Investir em recursos humanos e organizar as diversas áreas funcionais”

Atualmente, a Unidade de Hemodiálise de Agudos do CHTS dispõe de cinco postos para doentes seronegativos e de um sexto de isolamento, que pode ser expandido, em caso de necessidade. “Com a futura ampliação da atividade assistencial e de recursos humanos, pretendemos oferecer mais cinco postos, sendo dois deles de isolamento”, avança o diretor.

Nos primeiros quatro meses de atividade da Unidade – entre 22 de novembro de 2021 e 22 de março de 2022 −, foram realizadas 268 sessões, sendo esperado um “incremento progressivo, à medida que os doentes vão deixando de recorrer aos hospitais de referenciação”. Para este ano, está projetado efetuarem-se entre 1000 a 1500 sessões de diálise.

De uma forma global, a médio prazo, Carlos Botelho espera conseguir “contratar mais recursos humanos e desenvolver novas áreas funcionais”. Desde logo, a ampliação da equipa permitiria “alargar o período de tempo dedicado à Urgência, nomeadamente, assegurando a permanência durante o fim de semana”.

Além da necessidade de recursos humanos na área médica, distingue a igual falta de enfermeiros e de assistentes operacionais, realçando que “a atividade assistencial desenvolvida e a própria humanização de cuidados só é possível graças ao trabalho desta equipa multidisciplinar e à sinergia que existe entre todos os grupos profissionais”.

Carlos Botelho espera que o Serviço “cresça de forma estruturada, de acordo com as necessidades, e que cada elemento da equipa assuma e diferencie ainda mais as diferentes áreas funcionais”.




 Elaborar um mapeamento sistematizado na Consulta de Acessos Vasculares e Ecografia


Rui Abreu foi o primeiro nefrologista a juntar-se a Carlos Botelho. Natural do Porto, estudou Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Foi no contexto do internato geral que conheceu o CHTS, logo o considerando “um CH com uma cobertura populacional grande e atrativo do ponto de vista da constituição de projetos”.

Especializou-se em Nefrologia no CH de Trás-os-Montes e Alto Douro em 2017, data em que regressou ao CHTS.

Admite que o processo de integração inicial foi algo “penoso, porque tratava-se de sair de um Serviço que detinha todas as áreas funcionais para abraçar uma Unidade que realizava as atividades mais básicas, nomeadamente a consulta externa e a resposta a pedidos de colaboração de outras especialidades hospitalares”. No entanto, acima de tudo, era “uma situação desafiante, onde podia colocar um contributo pessoal para implementar algo de raiz”.


Rui Abreu

Considerando a formação e a experiência que tinha na área dos acessos vasculares e da ecografia, foi essa vertente que implementou e desenvolveu. “Os doentes em hemodiálise precisam de um bom acesso vascular e a criação de uma fístula, enquanto acesso autólogo feito com os vasos do próprio doente, é a opção de primeira linha pelo menor risco de infeções e de complicações, comparando com o cateter ou a prótese, ambos materiais exógenos”, explica Rui Abreu.

Na consulta que coordena, é feito um “mapeamento sistematizadoe pormenorizado pré-construção, com ecografia, para avaliar o património  da parte morfológica dos vasos e a vertente hemodinâmica, identificar se existe algum comprometimento da circulação da drenagem venosa do sangue e selecionar os vasos ideais”.

A abordagem é multidisciplinar, existindo uma “discussão conjunta com a Cirurgia Vascular sobre o acesso mais adequado, considerando as patologias dos doentes”. Um dos objetivos do nefrologista consistiu precisamente na “sistematização e coordenação desta logística, procurando otimizar este modelo de funcionamento multidisciplinar”.

Com este trabalho, atualmente, “a taxa de falência primária não ultrapassa os 9% e a percentagem de atraso de maturação ronda os 20%”.



“Trata-se de uma melhoria muito significativa no tratamento oferecido à população”


Carlos Alberto recorda-se de que, em 2016, quando assumiu o cargo de presidente do Conselho de Administração do CHTS, existia apenas um nefrologista. “A Nefrologia é uma área muito difícil de consolidar no setor público porque está maioritariamente entregue ao privado”, refere.

No entanto, “a vontade de Carlos Botelho de desenvolver a área de atividade era imensa e o seu anseio era mesmo chegar um dia a um Congresso e dizer que no seu CH estavam a ser tratados 100 doentes”.

A posição de Carlos Alberto foi imediatamente de apoio e, ao longo do tempo, a Unidade de Nefrologia – hoje Serviço − foi “captando recursos humanos e alargando o leque de tratamentos realizados”. O presidente do CA avança que, globalmente, “o case mix do hospital cresceu 30% e a criação da Unidade de Hemodiálise de Agudos, que veio permitir que os doentes renais agudos fizessem o seu tratamento no CH, foi um dos investimentos que contribuíram para essa evolução”.


Carlos Alberto

As melhorias são evidentes: “Não só do ponto de vista de custos é mais rentável, porque se elimina o transporte dos doentes aos hospitais da rede de referenciação e o número de dias que teriam de ficar internados quando não existia uma resposta imediata do outro lado, mas também a nível do seu conforto”.

Carlos Alberto recorda que o CHTS é “um dos maiores centros hospitalares do país, que detém uma área de influência de mais de meio milhão de habitantes de 12 concelhos, de quatro distritos”. Trata-se, portanto, de “uma melhoria muito significativa no tratamento oferecido à população”.



A reportagem completa, com entrevistas a vários profissionais, pode ser lida no Hospital Público de setembro/outubro.

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