Horácio Firmino considera que Gerontopsiquiatria apresenta um «grande desenvolvimento» em Portugal

A criação de inúmeras consultas por todo o país, primeiro na zona de Lisboa e depois no Porto e em Coimbra, é o melhor testemunho do desenvolvimento da Gerontopsiquiatria em Portugal. Horácio Firmino, secretário-geral da Associação Cérebro e Mente, fala em “grande avanço” neste campo.

“Tem-se verificado, nos últimos 25 anos, um grande desenvolvimento na Gerontopsiquiatria, muito devido à criação de associações e sociedades nesta área”, admite aquele especialista, que é coordenador do Hospital de Dia do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em declarações à Just News.



“A assistência melhorou bastante, tal como a formação, que vai muito para além dos congressos”, afirma Horácio Firmino, que é membro da organização do 11th Congress of the European Delirium Association e do 7th International Meeting of Psychogeriatrics, reuniões que têm lugar entre 3 e 5 de novembro, em Vilamoura.

O primeiro daqueles eventos vai focar-se, sobretudo, nos estados confusionais transitórios. “É apenas um dos problemas dos mais velhos, porém, muito importante, uma vez que leva a um maior número de dias de internamento, a uma gravidade dos casos e a uma maior mortalidade”, observa. E acrescenta que todo o conhecimento que os médicos e técnicos possam adquirir acerca desta temática vai melhorar substancialmente a assistência médica em Portugal.



A segunda das reuniões vai promover a abordagem da temática da deterioração cognitiva/demência, focando ainda os aspetos emocionais, a depressão e outros temas importantes da área. “Vai ser feita uma revisão destes assuntos, trazendo um update muito necessário aos médicos e técnicos que se dedicam às pessoas mais velhas”, diz Horácio Firmino.

Mobilizando cerca de 300 participantes, o psiquiatra observa que estas iniciativas se destinam a médicos em geral, psiquiatras em particular e, sobretudo, aos que têm interesse na pessoa mais velha, como enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e gerontologistas.

Horácio Firmino faz questão em frisar que, apesar de ligarmos estas temáticas às pessoas mais velhas, as demências podem surgir mais cedo. “Os psiquiatras devem ter um conhecimento alargado e conhecer a patologia dos mais velhos para, que quando surgir precocemente, a possam diferenciar e agir corretamente”, conclui, afirmando que estas reuniões ajudam a ultrapassar muitas dificuldades nesta matéria.



A Associação Cérebro e Mente é presidida por Joaquim Cerejeira, professor auxiliar de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do CHUC. Assume a presidência da Comissão Organizadora local nas duas reuniões de Vilamoura.

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