Hospitais de Penafiel e Amarante reforçam apoio psicológico em prol da «humanização de cuidados»

O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) assinou um protocolo com a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) para a realização de estágios profissionais, o que sucede pela primeira vez ao nível dos serviços públicos de saúde, sublinham os vários intervenientes.

Em declarações à Just News, o presidente do Conselho de Administração daquele CH, Carlos Alberto Silva, considera ser “uma oportunidade para ir mais além da atividade assistencial habitual, até porque pretendemos fazer de 2018 o ano da humanização de cuidados nos nossos hospitais de Penafiel e Amarante”.



Na sua opinião, “a ligação à comunidade, aos doentes e seus familiares é essencial para que o CHTS possa fazer face, de modo adequado, à enorme pressão assistencial, fundamentalmente ao nível da Urgência e da Consulta Externa”. Trata-se de espaços “mais sujeitos a que se gere uma tensão natural e a que surjam até conflitos não só entre os próprios profissionais como entre estes e os doentes e seus familiares”.

Prestar melhores cuidados e contribuir para a formação

A integração de quatro psicólogas no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental (DPSM) do CHTS, ficando duas na unidade de Penafiel e as outras duas em Amarante, significa, para o seu diretor, “o cumprir dos objetivos de prestar melhores cuidados à população, mas também o contribuir para a formação de novos profissionais”.

“O Departamento que dirijo trabalha essencialmente com equipas multidisciplinares, que incluem psiquiatras, psicólogos, psiquiatras da infância e da adolescência, técnicos de serviço social, além de, obviamente, terapeutas ocupacionais e todo um vasto leque de funcionários na área da Saúde Mental”, refere Orlando von Doellinger.


Eduardo Carqueja, presidente da Delegação Regional do Norte da OPP, Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da OPP, Licínio Soares, diretor clínico do CHTS, António Marçoa, vogal do Conselho de Administração, Carlos Alberto Silva e André Silva, vogal do Conselho de Administração 

Para o psiquiatra, “o enriquecimento da equipa com psicólogos que, apesar de juniores, já têm alguma experiência, é, sem dúvida, uma grande mais-valia para o trabalho multidisciplinar do Departamento”.

De acordo com os critérios estabelecidos pela Ordem dos Psicólogos, o estágio profissional tem a duração de um ano, sendo então reconhecida a autonomia como psicólogo clínico. Segundo Orlando von Doellinger, o objetivo será que nessa altura o CHTS “venha a oferecer a possibilidade de outros jovens psicólogos poderem aceder a novos estágios”.

Outros CH podem seguir o exemplo do Tâmega e Sousa

O protocolo assinado na última quarta-feira pelo presidente do CA do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa e pelo bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, foi, sem dúvida, um momento histórico, testemunhado, nomeadamente, pelas quatro psicólogas que, durante um ano, vão cumprir o seu estágio profissional remunerado.


O bastonário da OPP e o presidente do Conselho de Administração do CHTS com Márcia Mendes, coordenadora da Unidade de Psicologia, durante o momento de assinatura do contrato das quatro psicólogas

E é precisamente o facto de ser remunerado que explicará que este seja o primeiro protocolo do género a ser concretizado, muito pela circunstância de Carlos Alberto Silva considerar que “faz muita falta a participação dos psicólogos na vida da comunidade e na relação que o hospital com ela tem”.

Para Teresa Espassandim, membro da Direção Nacional da Ordem dos Psicólogos, “é importante lembrar que o exercício da profissão de psicólogo se inicia com o ano profissional júnior e que, durante este período, estamos a falar de um profissional e não de um estudante”.

“É um psicólogo em início de carreira, com uma prática supervisionada e que, por isso, dá garantias, a quem recorre aos seus serviços, às atividades de intervenção e de promoção que realiza, de um trabalho de rigor, e que, portanto, no caso do CHTS, oferece também a garantia de idoneidade prática da Psicologia”, afirmou à Just News aquela responsável.

Salientando haver “uma grande dificuldade de acesso, por parte dos cidadãos portugueses, a este tipo de cuidados de saúde”, Teresa Espassandim aplaude a decisão do CHTS em abrir as suas portas “a uma nova geração de psicólogos, investindo realmente na disponibilização de cuidados de saúde psicológica”.


Carlos Alberto Silva, André Silva, José Ribeiro, (enfermeiro diretor), João Paulo Coelho (diretor de Serviço do DPSM), Márcia Mendes, junto as quatro psicólogas: Lucília Mariana da Silva Meireles, Sílvia Patrícia Ribeiro da Silva, Inês Catarina Maia de Jesus Ferreira e Ana Catarina Pinto Freitas.


A representante da Ordem dos Psicólogos considera que o “desbloqueio” agora conseguido com a assinatura deste protocolo irá contribuir para que outras unidades e centros hospitalares sigam o exemplo do CHTS, “que soube ver a importância de renovar os seus profissionais psicólogos nos seus quadros de pessoal”. Pelo menos, os contactos nesse sentido já estão a decorrer.



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