Hospital Dona Estefânia: Congresso multiprofissional assinala 140.º aniversário

É já esta quinta e sexta-feira que se realiza, na Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa, o Congresso Multiprofissional do Hospital Dona Estefânia (HDE) - Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC). De acordo com João Falcão Estrada, médico pediatra e coordenador do evento, além de ser um Congresso comemorativo dos 140 anos "do primeiro hospital pediátrico do País", a iniciativa visa ser "também uma forma de promover e valorizar a criança enquanto representante de um futuro comum".

Em entrevista à Just News, o pediatra destaca algumas das temáticas que vão ser debatidas no congresso. É o caso de uma mesa que conta com a participação do Hospital Pediátrico de Coimbra, com o Centro Materno Infantil do Norte e com o próprio HDE, onde vão ser discutidos os vários desafios que as unidades hospitalares pediátricas enfrentam atualmente, nomeadamente, "a organização e as vantagens e desvantagens da integração em centro hospitalar".



Hospital pediátrico: "Os pais são nossos parceiros"

“Inevitavelmente vamos ainda abordar a possibilidade de Lisboa deixar de ter um hospital pediátrico, o que é uma preocupação de todos nós”, afirma João Falcão Estrada. Para o médico, "é um ponto pertinente, que se sente sobretudo nos recursos humanos e na própria motivação destes".



“A questão centra-se, essencialmente, na capacitação para comunicar com os pais e com as crianças; é inevitável que quem esteja dentro da escola de um hospital pediátrico tenha uma competência mais natural e interiorizada para fazer essa ponte com a família, seja qual for o grupo profissional a que pertença.”

E sublinha: “Não se trata de se ser melhor ou pior técnico, a questão está na experiência que se tem de trabalhar com a família, no HDE os pais são nossos parceiros.”

"Projetos que assentam no apoio da comunidade"

Neste evento pretende-se, assim, mostrar que os hospitais pediátricos são importantes: “A comunidade – com quem trabalhamos – reconhece a nossa relevância, a nível internacional existem hospitais nesta área, logo não há justificação sociológica para que se ponha termo a uma unidade deste tipo, pelo contrário.”

Olhando para os custos, João Falcão Estrada também não vê razões para o fecho de unidades pediátricas. “Tratamos crianças que um dia vão ser adultos saudáveis e com capacidade para dar o seu melhor à sociedade, sendo ativos; somos proativos na saúde e além disso temos imensos projetos que assentam no apoio da comunidade e em voluntariado, sendo a preocupação com a criança um foco polarizador indiscutível que não deve ser desmerecido, antes promovido.”



Saúde mental infantil "tem de ser entendida como uma prioridade"

No congresso vai estar ainda em discussão a ligação com os cuidados de saúde primários, como assinala o nosso entrevistado: “O tratamento da criança é um continuum, começando pela componente preventiva, e, atualmente, os colegas de Medicina Geral e Familiar (MGF) têm uma ótima formação. Como pediatra, não tenho qualquer problema em ver crianças a ser seguidas pelo médico de família.” Como refere, ainda, “os médicos de MGF são nossos parceiros”.

Entre as muitas temáticas que vão estar em debate, o pediatra salienta também a Saúde Mental, ou não fosse uma área importante neste hospital. “Metade dos pedopsiquiatras do País são formados nesta casa, além disso a preocupação com a saúde mental infantil tem, cada vez mais, de ser entendida como uma prioridade”, sublinha.



Capacitar os pais "a tomar conta dos filhos"


A nível dos cuidados continuados será apresentada a evolução que se tem sentido nos últimos anos, como nos relata a enfermeira Idalina Bordalo, também membro da comissão organizadora do evento. “A inovação é uma realidade, nomeadamente nos cuidados ao domicílio, temos crianças que, em vez de ficarem internadas, já podem recuperar em casa e temos projetos de apoio de proximidade com sucesso confirmado.”

Para Idalina Bordalo, não há qualquer dúvida de que “o sucesso não está apenas na evolução tecnológica mas também na formação que o HDE dá aos pais, para os capacitar a tomar conta dos filhos que têm uma doença mais complexa”.



Relativamente a esta área, João Falcão Estrada frisa que "muito se tem feito nos últimos anos com o envolvimento de diferentes profissionais, mas também com a família". Daí que o seu sonho passe por "um projeto de organização da gestão do doente complexo e, simultaneamente, de apoio aos cuidadores" e desenvolve a ideia:

“Podemos imaginar vir a ter, neste edifício, as condições necessárias para ter connosco (não internar), programadamente e por períodos curtos, crianças por grupos de patologia crónica específica, organizando nesse período todo o seu plano terapêutico, em vez de virem a múltiplas consultas ao longo do ano e, entretanto, permitir aos pais ir de férias deixando os filhos, não internados mas em organização integrada de cuidados e na companhia de quem os conhece.”



Open Day: Abrir as portas à comunidade

Na sequência do congresso vai também decorrer, dia 30 de setembro, o Open Day – Formação em Segurança para Famílias, no HDE.  São várias as atividades que vão decorrer durante a manhã deste sábado, conforme explica à Just News a psicóloga Cecília Galvão de Azevedo:

“Teremos um peddy-paper histórico-cultural em parceria com a Junta de Freguesia de Arroios; a feira de atividades onde as crianças e os pais vão aprender enquanto brincam, percorrendo várias atividades lúdicas e de promoção da segurança; e também os ´Caminhos de Santa Jacinta`, com o apoio do capelão Carlos Azevedo, realçando-se o HDE como passo no circuito mariano, curiosamente mais percorrido por estrangeiros do que por portugueses.”


João Falcão Estrada, Idalina Bordalo e Cecília Galvão de Azevedo

Haverá ainda sessões onde os pais e as crianças aprendem primeiros socorros e como podem prevenir determinados acidentes. “Vamos ter um trampolim, para mostrar que é possível brincar com segurança”, aponta a responsável.



"A naturalidade da inclusão"

João Falcão Estrada sublinha que o congresso está organizado "na interligação entre sessões plenárias com temáticas transversais que, em muitos casos, ultrapassam questões técnicas médicas e evoluem para áreas sociológicas, pedagógicas e organizacionais, e por mesas técnicas específicas por área profissionais e partilhadas".

E acrescenta: "É nosso entendimento que todos os profissionais que se dedicam à criança partilham uma mesma dedicação na promoção da saúde e felicidade da criança e da família. Daí a naturalidade da inclusão, neste Congresso, de todas as áreas profissionais do Hospital de Dona Estefânia."

O programa do Congresso pode ser consultado aqui.


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