Hospitalização Domiciliária do HGO: 5 anos a inspirar novas unidades em Portugal

A Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, assinala 5 anos de existência no próximo dia 16 de novembro. A primeira UHD do país acabou por ser a propulsora para a criação de muitas outras no país e para Rita Nortadas, internista e coordenadora da UHD do HGO, isso é “um motivo de grande orgulho”.

Em 16 de novembro de 2015 dava os primeiros passos a UHD do HGO, assentando num modelo assistencial alternativo ao internamento hospitalar convencional e que se encontra sob a tutela do Serviço de Medicina. A pessoa é internada na própria casa, durante um período limitado, e tratada por uma equipa de saúde hospitalar multidisciplinar, composta por médicos internistas, enfermeiros, técnicos de reabilitação, nutricionista, farmacêuticos, assistente social, assistente técnica e administrativa hospitalar.

O projeto chegou mesmo a ganhar o 10.º Prémio da Edição do Encontro do Prémio de Boas Práticas em Saúde, organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), Direção-Geral da Saúde, Administração Central do Sistema da Saúde e Administrações Regionais de Saúde.
Inicialmente tinha capacidade de apenas 5 doentes e, atualmente, já vão em 25.



Rita Nortadas

Perante a pandemia covid-19, foi criada uma outra UHD destinada a doentes covid com lotação de dez camas. “Sempre que haja condições sociais e de isolamento, encaminhamos para esta unidade doentes internados por outras patologias, mas cujo rastreio a infeção por SARS-CoV-2 foi positivo, assim como aqueles que, hospitalizados devido a infeção respiratória covid, estão estabilizados e podem recuperar no domicílio.”

Para Rita Nortadas, a HD tem demonstrado como é possível tratar doentes de nível hospitalar em casa, com maior benefício. “O risco de infeções nosocomiais diminui significativamente, a recuperação e aquisição de autonomia é mais rápida, há menos casos de síndrome confusional e a pessoa sente outro bem-estar por estar no seu espaço, ter a sua própria cama, comida e privacidade, além de ser custo-efetiva.”

Continuando: “A UHD permite uma maior dedicação ao doente e/ou cuidador, desempenhando um papel fundamental na educação e na literacia para a saúde, bem como na reconciliação terapêutica.”

Ao fim destes anos, a médica realça o aumento do número de utilizadores e o projeto de telemonitorização, em fase de aperfeiçoamento. “À distância é possível acompanhar a pessoa, com maior segurança. Em tempo de covid-19 permitiu, inclusive, melhor vigilância e proximidade, diminuição do risco de transmissão de infeção, assim como uma melhor gestão dos equipamentos individuais de proteção (EPI).”


Elementos da UHD, no âmbito de uma reportagem da Just News sobre o 1.º aniversário deste "projeto pioneiro"

Tendo iniciado o projeto apenas com doentes da Medicina, expandiram aos cirúrgicos e também a situações de maior complexidade. “O balanço é muito positivo.”

Questionada sobre a relevância do trabalho do HGO na criação de outras UHD a nível nacional, Rita Nortadas mostrou-se orgulhosa e enalteceu o que considera ser ainda mais fundamental:

“Partilhamos experiências entre unidades, num verdadeiro espírito de partilha e de interajuda. É, sem dúvida, uma experiência enriquecedora que permite o crescimento conjunto.”



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