Infeciologistas recordam história do tifo

“A Hipócrates deve-se a descrição do tifo, entendido genericamente como qualquer episódio febril acompanhado por um estado de confusão do intelecto e evolução para estupor”. Foi com esta declaração que o Dr. António Vieira, médico infeciogista, iniciou a sua conferência nas 9.as Jornadas de Atualização em Doenças Infeciosas do Hospital de Curry Cabral. 

O médico contou que esta era uma doença temida pela humanidade, por ser uma sempre companheira mortal da guerra, da miséria e da fome. Ao falar das histórias na história do tifo, lembrou que o último grande surto em Portugal ocorreu em 1918-19, com predomínio marcado no norte do país, tendo sido registados cerca de três mil óbitos. Daí para a frente, com a melhoria acentuada das condições sanitárias e de saúde pública, os surtos foram sendo mais escassos e espaçados no tempo.

No entanto, “hoje ainda persistem focos de tifo um pouco por todo o planeta”, referiu. E terminou: “A reemergência é uma possibilidade. O receio pelo “regresso de quem verdadeiramente nunca partiu” é real.”

Em declarações à Just News, Fernando Maltez, diretor do Serviço de Infeciologia do Hospital Curry Cabral e membro da comissão organizadora salienta: “é tradição introduzir uma componente histórica nas Jornadas”.

Além disso, o especialista refere que o grande objetivo desta iniciativa é rever e atualizar o que há de novo em doenças infeciosas, particularmente aquelas que são de maior preocupação pública, quer a nível global, quer a nível internacional, nomeadamente no nosso país, a tuberculose, a infeção por VIH e as hepatites.

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