Associação de Hotelaria Hospitalar debate a «calamidade» das infeções hospitalares

Considerando que o elevado nível de infeções hospitalares que se verifica em Portugal é uma “calamidade”, a Associação Portuguesa de Hotelaria Hospitalar (APHH) não quis deixar de abordar este tema nas suas VI Jornadas, que tiveram lugar nos dias 25 e 26 de maio, no Auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra.

Descontaminação do ambiente das unidades de saúde

Na cerimónia de abertura do evento, Maria João Lino da Silva, presidente da APHH, recordou que “a boa assepsia do ambiente e das superfícies é um dos veículos que autenticamente combatem as infeções hospitalares”, tal como está explícito na Norma de Descontaminação do Ambiente das Unidades de Saúde, documento que foi apresentado por um representante da Coordenação Nacional do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA).



“Sendo eficaz a utilização do peróxido de hidrogénio, procurámos que um profissional de um hospital que já aplica a técnica e um profissional de uma empresa fornecedora da mesma expusessem as vantagens e implicações do método”, acrescentou a administradora dos Serviços Hoteleiros da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.



Além de Maria João Lino da Silva, a mesa de abertura contou com a participação de Maria João Melo, em representação do presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra; Rosa Reis Marques, vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, em representação do presidente; e Javier Vidal Iglésias, vogal da Associación Española de Hostelería Hospitalaria, em representação do presidente.

Hóteis versus hospitais

As semelhanças e as diferenças entre hotéis e hospitais estiveram em foco nestas Jornadas da APHH. “O papel do hotel é oferecer hospedagem a quem visita uma localidade diferente daquela onde reside, desde que haja necessidade de pernoitar", afirmou Maria João Lino da Silva.



Por outro lado, o papel do hospital "consiste em tratar as pessoas que precisam de atendimento médico, especialmente na cidade onde residem, alargada à área de influência da instituição".

Nutrição e segurança dos doentes

“Cadernos de encargos - desafios da segurança alimentar e nutricional” foi outro dos temas centrais em debate. “Dada a complexidade que é construir as cláusulas técnicas, incluídas nos cadernos de encargos, a APHH crê que é um ponto importante a considerar, bem como a segurança alimentar e o sistema de confeção cook-chill, que é o adequado para instituições hospitalares de maior dimensão”, afirmou a responsável.



Foi feita também uma revisão do Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares estabelecido para 2011/2016 pela Agência Portuguesa do Ambiente, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, cujas entidades estiveram presentes no evento, bem como o IGAMAOT (Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território), que inspeciona a atividade.

Realizou-se igualmente uma apresentação do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015/2020 pelo Departamento de Qualidade da DGS.

Falou-se, ainda, nas características da roupa a adquirir para um hospital e na dificuldade da sua escolha. Foram dados exemplos de tecidos inovadores "que colaboram na assepsia do ambiente" e no combate às infeções já antes mencionadas.

Associação Portuguesa de Hotelaria Hospitalar: Filomena Fernandes, Alexandre Duarte, Maria João Lino da Silva, Sandra de Olim, Alexandra Santos e Bruno Kohaupt.

Empenho em "melhorar a hotelaria hospitalar em Portugal"

Outro tema abordado foi o conceito de economia circular, onde, como explicou Maria João Lino da Silva, “os materiais, através da reutilização, recuperação e reciclagem, voltam a entrar no circuito produtivo, dado que o planeta Terra está limitado nos recursos naturais e o modelo linear de economia ser incompatível com a preservação do meio ambiente saudável”.



Por último, discutiram-se estratégias inovadoras de integração de serviços do setor hoteleiro que são necessários num hospital, numa única gestão, "que não é uma prática no nosso país, mas que poderá auxiliar na redução de custos".

Na sessão de encerramento do evento esteve presente Marta Temido, presidente da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), em representação do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que deu os parabéns à APHH por este tipo de iniciativas, afirmando tencionar fazer eco à Tutela de aspetos importantes "que poderão melhorar a hotelaria hospitalar em Portugal".


Helena Ávila (Ordem dos Nutricionistas), Paulo Sousa (SUCH), Alexandre Duarte (APHH), Maria João Lino da Silva (APHH), Abraão Ribeiro (SUCH),  Bruno Kohaupt (APHH), Alexandra Bento (Ordem dos Nutricionistas) e Raúl Ferreira (Associação dos diretores de Hóteis de Portugal).



Homenagem a impulsionador da APHH

Na cerimónia de abertura, Maria João Lino da Silva propôs uma pequena homenagem a José Luis Iáñez, fundador e primeiro presidente da Associación Española de Hostelería Hospitalaria, que faleceu recentemente. Quem estava presente no auditório fez um minuto de silêncio por este homem que incentivou a criação da APHH, fundada em 2010.




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