Inovação e Controvérsia em Oncologia – Cuidados Partilhados com a MGF

Contribuir para uma melhor interação entre médicos de família e especialistas em doenças oncológicas é um dos objetivos do Simpósio Inovação e Controvérsia em Oncologia – Cuidados Partilhados com a Medicina Geral e Familiar, que se realiza estas sexta-feira e sábado, na Fundação Champalimaud (FC).

Este simpósio procura dar uma visão partilhada em cuidados oncológicos, nomeadamente nos cancros da mama, ginecológicos, pulmão, prostata, colo-retal e alguns hemato-oncologicos, promovendo uma discussão sobre as novas perspetivas no diagnóstico e tratamento do cancro e como potenciar os esforços conjuntos para benefício dos doentes.

“Os especialistas de Medicina Geral e Familiar estão na posição ideal para terem contacto com os primeiros sinais, às vezes, muito subtis, insidiosos e pouco claros, de muitas doenças oncológicas e poderem contribuir, de forma muito consistente, para aumento da referenciação adequada para centros que diagnosticam e tratam”, refere António Parreira, da organização do simpósio e diretor clínico da FC, acrescentando que esta interação entre especialidades é uma grande repercussão em termos de ganhos em saúde, no que respeita à luta contra o cancro.

Jorge Fonseca, da organização do simpósio e diretor da Unidade de Prostata da FC, refere que uma das finalidades da realização desta iniciativa é integrar a atividade da fundação na comunidade.

“Cada vez mais se aborda o doente numa perspetiva multidisciplinar, falta, às equipas da FC, o outro parceiro dessa equipa, o médico de família”, afirma, mencionando que foi, nesse sentido, que convidaram estes especialistas a apoiar e a participar no simpósio, solicitando, também, a sua ajuda na avaliação e tratamento dos doentes.

Fazendo referência para o facto de a maior parte dos inscritos serem jovens – “o futuro está aqui presente” -, Jorge Fonseca indica que o ideal seria poder ter estes profissionais médicos mais ativamente nas reuniões multidisciplinares, quer presencialmente, quer por videoconferência.

“Penso que isto seria uma inovação, trazer o médico de família do local onde está, para a participação do seu doente em tempo real nas nossas reuniões”, conclui.

Para João Sequeira Carlos, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), este é um simpósio paradigmático do que deve ser a relação entre a MGF e outras áreas do conhecimento médico e da prestação de cuidados em outras especialidades.

“Este simpósio, à semelhança de outros que se façam e cumpra com estes objetivos são bem-vindos. A APMGF irá apoiar sempre este tipo de eventos”, afirma.

E desenvolve: “No terreno, há ainda muita dificuldade em implementar aquilo que deve ser a base dos melhores cuidados para os nossos doentes, que é a articulação, partilha e integração de cuidados entre profissionais de saúde e médicos de várias especialidades para benefício dos nossos doentes.”

No seu entender, isto é algo que, apesar de fazer parte de qualquer programa de intenção para as boas práticas de saúde, está ainda por cumprir.

E termina: “Pretendemos com o trabalho realizado pela associação, em colaboração com outras instituições da sociedade civil e organizações de saúde, mostrar que esta cooperação e articulação de cuidados partilhados é possível e que os resultados são de grande qualidade e benefício em termos de ganhos de saúde para os nossos doentes.”

A organização do “Simpósio Inovação e Controvérsia em Oncologia – Cuidados partilhados com a Medicina Geral e Famílias” foi da responsabilidade da FC e contou com o apoio da APMGF.

Podem ser consultadas AQUI várias fotografias do Simpósio.

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