Insuficiência cardíaca e enfarte: telemonitorização domiciliária vai arrancar no CHUC

Os dois serviços de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (HUC e Hospital Geral) irão arrancar em breve com um projeto de telemonitorização de casos de insuficiência cardíaca e após enfarte agudo do miocárdio.

O projeto envolve um número limitado de doentes, que serão seguidos à distância nas suas próprias casas (telemonitorização domiciliária). Este projeto, coordenado a nível nacional pela Cardiologia B do CHUC, irá ter, segundo o seu diretor, Lino Gonçalves, “uma ligação muito significativa com a MGF e os centros de saúde da área onde os doentes que forem selecionados estiverem a residir”.



Em entrevista à Just News, que poderá ser lida no próximo Jornal Médico, o cardiologista explica que a telemonitorização domiciliária não só pretende ajudar os doentes com insuficiência cardíaca e os que sofreram um enfarte agudo do miocárdio, mas também tem como grande objetivo contribuir para combater as elevadas taxas de internamento/reinternamento e, consequentemente, os avultados custos associados.

Este projeto não surge por acaso na região Centro. A telemedicina tem sido uma das grandes apostas da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), que em fevereiro permitiu a implantação de um Programa de Telemedicina desenvolvido pelo Serviço de Cardiologia B do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que envolve seis centros de saúde do ACeS do Baixo Mondego e cujos resultados têm sido muito satisfatórios.

A UCSP Soure, a USF VitaSarium (Soure), a USF Araceti (Montemor-o-Velho), o Centro de Saúde de Montemor-o-Velho, a USF Condeixa e a USF Fernando Namora (Condeixa-a-Nova) são os centros de saúde do ACeS do Baixo Mondego envolvidos no Programa de Telemedicina desenvolvido pelo Serviço de Cardiologia B do CHUC e pela ARSC. Em breve, o Centro de Saúde de São Martinho do Bispo juntar-se-á a esta lista e espera-se que, no futuro, as consultas sejam estendidas a outras unidades de saúde.



A teleconsulta é realizada por um cardiologista (Lino Gonçalves) e por um médico de família, envolvendo, sempre que necessário, a presença do doente, com a possibilidade de este poder colocar algumas questões. 

Retomar um projeto de sucesso

Fernando Gomes da Costa, responsável pelo Programa de Telemedicina da ARS Centro, recorda que a ideia de realizar consultas de Cardiologia deste tipo já é antiga, tendo havido, há cerca de 6-7 anos, uma consulta dirigida por Lino Gonçalves, que, na altura, integrava o Serviço de Cardiologia dos HUC.


“Os resultados foram muito bons, tanto para os doentes como em termos formativos. A experiência terminou porque, na altura, usavam-se umas plataformas da PT que eram caras e exigiam uma manutenção também dispendiosa”, recorda o nosso interlocutor.




A partir do momento em que passou a existir uma plataforma do Ministério da Saúde de instalação gratuita e simples, procurou-se reativar o projeto. “Demorou um pouco, foi preciso obter algumas autorizações, ultrapassar certas burocracias a nível do CHUC, mas conseguimos que começasse a funcionar”, relata Fernando Gomes da Costa, que faz questão de salientar o empenho de Lino Gonçalves desde o primeiro minuto.

De acordo com o responsável, “muitas vezes, o doente vai à consulta do hospital, um local para si estranho, falar com um profissional que não conhece, não conseguindo transmitir bem o que se passa". Dessa forma, acrescenta, quando está de novo com o seu médico de família, "acaba por ter dificuldade em explicar o que se passou. Com a teleconsulta, o doente sente-se muito mais apoiado".

Telemonitorização “é uma das soluções de futuro"

Relativamente à telemonitorização, Fernando Gomes da Costa não tem dúvidas em considerar esta forma de seguimento dos doentes à distância como “uma das soluções de futuro, não só em termos de melhoria da prestação de cuidados como também em termos de ganhos em efetividade e em economia de escala”.

Recorda ainda que, em Portugal, a telemonitorização dos doentes respiratórios já é uma realidade. Funciona em cinco unidades hospitalares, sendo que duas se situam na região Centro -- o CHUC (serviços de Pneumologia A e B) e o Centro Hospital da Cova da Beira. E sublinha que o projeto permitiu diminuir para cerca de metade o número de urgências e em 30% o número de internamentos com DPOC. 





A reportagem completa pode ser lida na edição de maio do Jornal Médico onde, além do desenvolvimento dos temas, é igualmente entrevistado o médico de família Vítor Lopes, interlocutor entre Lino Gonçalves e a telemedicina para o concelho de Montemor-o-Velho.

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