Internos de Medicina Intensiva promovem 1.º Encontro Nacional

É já este sábado que tem início o 1.º Encontro Nacional de Internos de Medicina Intensiva (ENIMINT). Para o presidente da Comissão Organizadora, Raul Neto, “é fundamental haver uma rede de Medicina Intensiva, com pessoas que se conhecem e colaboram entre si". E, nesse sentido, sublinha: "Achamos que este Encontro pode ter um efeito dinamizador nessa vertente."

Em declarações à Just News, o médico interno do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho adianta que foi concebido um programa abrangente: "Por ser o primeiro Encontro, não quisemos focar um tema único. Temos uma parte bastante científica, focada no doente crítico e nas diferentes áreas de atuação, mas também vamos ter uma parte dedicada à formação, porque é importante."


Raul Neto

Uma das coisas que Raul Neto teve oportunidade de concluir ao longo destes últimos dois anos, no processo de organização do Encontro, é que a pandemia não só fez atrasar a sua realização como contribuiu negativamente para um certo isolamento dos colegas mais novos, que iniciaram a formação neste período, em que os contactos presenciais estiveram restringidos.

"Aquilo que sentimos é que os colegas mais novos têm que ter oportunidade de se exprimir e interagir connosco e com os membros do Colégio da Especialidade e podermos partilhar experiências", indica.

Um Encontro que ajude a "definir projetos multicêntricos"


Raul Neto, que foi um dos fundadores da Associação de Internos de Medicina Intensiva (AIMINT), criada há menos de dois anos, refere que “um dos grandes objetivos da Associação, para além de zelar pela formação do interno de Medicina Intensiva, era organizar um evento que nos permitisse providenciar aos nossos colegas mais novos a mesma experiência que tivemos de partilha de realidades, podendo definir projetos multicêntricos falando entre nós.”.


O programa do 1.º ENIMINT pode ser consultado AQUI.

"Medicina Intensiva em Portugal: evolução e desafios da próxima geração de intensivistas" é o lema do Encontro

"O que me atraiu foi essa complexidade na gestão do doente crítico"


Raul Neto confessa não estar nada arrependido de ter escolhido fazer o internato de Medicina Intensiva, quando se prepara para o concluir, agora no final de 2021, tal como a sua colega Joana Fernandes, presidente da AIMINT. Mas podia...


“Sabia que encontraria pela frente o doente crítico, em situação grave, que ia poder fazer a diferença no momento chave da vida de uma pessoa, mas admito que fui muito ao encontro do desconhecido. Até porque, pelo menos na altura em que tirei o curso, tínhamos muito pouco contacto com a Medicina Intensiva”, recorda.

Foi a “muita curiosidade pelo corpo humano” e o querer “conhecer as diferentes alterações fisiopatológicas e saber como poderia intervir” que empurrou Raul Neto para Medicina, fazendo o curso na FMUP, que terminou em 2015. Haveria de cumprir o internato do ano comum no CHEDV, em Santa Maria da Feira.

Entretanto, com o passar do tempo, fora-se apercebendo não ter o perfil de médico vocacionado para a consulta, observando a evolução do doente. Pelo contrário, sentia-se atraído pela situação aguda, ameaçadora da vida. Ainda pensou em Cirurgia Geral, para poder intervir no trauma, mas acabaria a fazer o internato de Medicina Intensiva, em Vila Nova de Gaia.



O primeiro ano de estágio passou-o, como está estabelecido, na Medicina Interna, mas ia aparecendo com regularidade na Medicina Intensiva, até porque precisava de perceber se realmente tinha o perfil necessário “para aguentar algumas das coisas que vemos e exercer de forma adequada, fazendo o melhor pelos nossos doentes”.

“Lembro-me que aquilo que mais me chocou foi, efetivamente, testemunhar algumas das histórias trágicas com que os meus colegas se deparavam e a diferença que fazia ao intervirem naqueles momentos, podendo inverter completamente a história natural de uma doença aguda, conseguindo fazer a diferença", refere Raul Neto.

Contudo, e "acima de tudo", recorda que o que mais o impressionou foi "a complexidade da gestão de toda a panóplia de equipamentos e fármacos usados no dia-a-dia. Isto porque não só é preciso identificar, diagnosticar e tratar a causa da disfunção de órgão como é essencial fazer uma gestão muito fina do suporte que usamos porque, se não tivermos cuidado, podemos causar mais malefício do que benefício ao doente".

E acrescenta: “O que me atraiu e fez ficar mais satisfeito com a minha escolha foi essa complexidade na gestão do doente crítico. Mas foi um choque! Nós não estamos habituados a ver os nossos doentes inconscientes, ligados a um ventilador, completamente sem reação. Embora esse seja um panorama da Medicina Intensiva que tem vindo a mudar, pois, cada vez mais temos doentes acordados e a colaborar. Mas a verdade é que, na altura, isso fez-me imensa confusão!”

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