Intervenção precoce nas psicoses: «É necessário saber trabalhar com as famílias»

“A questão da esperança é muito importante” no caso das psicoses e em termos de saúde mental de uma forma geral, garantiu a psiquiatra Teresa Maia, durante o 5.º Encontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico.

Dirigindo-se particularmente à ministra da Saúde, sublinhou que os profissionais precisam de “respostas” para serem “consequentes na esperança que estamos a dar aos doentes e seus familiares”.


Teresa Maia

A médica é diretora do Serviço de Psiquiatria do Hospital Fernando Fonseca, mas integrou a mesa de abertura do Encontro na qualidade de coordenadora Regional de Saúde Mental da ARS de Lisboa e Vale do Tejo. Marta Temido presidiu à sessão.



Organizada pela Secção do Primeiro Episódio Psicótico da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), a reunião decorreu recentemente em Lisboa e registou um recorde de participantes, que rondou as três centenas.

Intervenção precoce permite "reduzir hospitalizações e melhorar a reabilitação social"

Na cerimónia de abertura, que contou com a presença do vice-presidente da SPPSM, Pedro Varandas, o presidente da Secção, Pedro Levy, salientou que os resultados alcançados com uma intervenção precoce nas situações de psicose “são muitos”, enumerando-os:

“Conseguimos uma melhoria do prognóstico e uma diminuição da sintomatologia, das recaídas, do consumo de substâncias que podem ser causadoras de psicose, do número de hospitalizações e dos custos associados, para além de uma melhoria da capacidade de reabilitação social e do desempenho escolar e no trabalho.”


Pedro Levy

Anualmente, 2 a 4 mil pessoas iniciam um quadro psicótico

Pedro Levy frisou que “as perturbações psicóticas são as mais graves com que a Psiquiatria se confronta, porque estamos perante situações que começam cedo e são normalmente devastadoras na vida das pessoas”.

E referiu que, "em Portugal, todos os anos, cerca de 2 a 4 mil pessoas iniciam um quadro psicótico, cuja evolução precisa de ser acompanhada de uma forma sistemática e estruturada”.



“Não conseguimos tratar estes doentes apenas com médicos”

Ao usar da palavra, Teresa Maia deixou claro que, em matéria de psicoses, “temos obrigatoriamente de intervir de uma forma diferente”.

Neste tipo de doenças, ao querer-se reunir todos os critérios de diagnóstico para se chegar a uma conclusão, “em geral, estamos a ter uma intervenção que já é muito paliativa”, sublinhando a importância de atuar o mais precocemente possível.



Lembrando depois que “não conseguimos tratar estes doentes apenas com médicos”, pois, “precisamos de psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas”, disse ser fundamental haver “uma área de trabalho conjunto entre a Psiquiatria de Adultos e a Psiquiatria da Infância e da Adolescência”.

Desenvolver outras competências, como, por exemplo, “saber trabalhar com as famílias”, é uma necessidade, considera Teresa Maia, desde logo pela carga genética associada a estas doenças. Tal como “a capacidade de trabalhar fora dos serviços, até porque não é pela urgência que estes doentes devem entrar no hospital, temos que conseguir encontrá-los antes”.

“Conciliar proximidade e diferenciação”

“Conciliar proximidade e diferenciação” é, no seu entender, “o grande desafio que se coloca hoje em dia”. Até porque “não podemos ter programas fantásticos a que ninguém chega e o estarmos muito próximos da população pode não significar nada de especial”.

A psiquiatra diria ainda que "o Plano Nacional de Saúde Mental que existe não precisa de ser refeito, precisa de ser aplicado”, acrescentando:

“A intervenção precoce na psicose é um dos aspetos mais importantes para dar esperança às famílias, aos doentes e a nós todos, de forma a sentirmos que estamos a fazer alguma coisa de positivo e de realmente determinante para a vida daquelas pessoas."


Pedro Levy, Teresa Maia, Marta Temido, Pedro Varandas e Ricardo Coentre

Marta Temido, que encerrou a sessão, afirmou estar “consciente da necessidade de reforçar o investimento em material e em termos humanos para uma efetiva implementação” do Plano Nacional de Saúde Mental. “Também estamos conscientes do desafio de conciliar proximidade e diferenciação”, garantiu a ministra da Saúde.

Nuno Madeira sucede a Pedro Levy

O 5.º Encontro Nacional marcou o final de 3 anos de mandato de Pedro Levy, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, como presidente da Secção do Primeiro Episódio Psicótico da SPPSM e que teve Ricardo Coentre como vice-presidente.

Sucede-lhe Nuno Madeira, do Serviço de Psiquiatria do CH e Universitário de Coimbra. A nova equipa integra ainda os psiquiatras Tiago Santos, Vítor Santos, Pedro Levy e Ricardo Coentre.


Nova Direção da Secção do Primeiro Episódio Psicótico: Tiago Santos, Vítor Santos, Nuno Madeira, Pedro Levy e Ricardo Coentre

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